Ana Cecília Novaes

Mineira adotada por uma Grande Campina. Viajante de estradas ecleticamente delineadas por seus inconscientes errantes, essa poeta torta de sussurros afônicos não almeja nada mais que fazer ressoar entre as alvoradas gotas de um orvalho que escorre da face do invisível para seu próprio coração de criança, criando, se não for muita ousadia, âncoras onde ela (e quem sabe, nós) possa encontrar seu porto seguro.

Um dia no parque...

                - OLHA A BOLAAAAAAAAAAA!!!!!!!!!                Mal tive tempo de olhar em direção à voz quando senti o impacto de algo pesado colidindo contra meu corpo, me levando diretamente ao contato (íntimo demais, ...

No tempo que o tempo durar...

                - SeLá que ela está molta?                - Não seja ridículo! Gente morta não ronca alto desse jeito!                - E gente moLt...

Além da curva...

                E de lá, além da curva que vem de cá, o que pode estar...                É, meu caro amigo... aqui eu tive que parar. Pode me chamar de covarde, e talvez eu o seja, afinal, já que, assim que desci do trem e...

Tempo de recomeçar...

                - Ela realmente... hum... vai sentir muita falta de você, não é mesmo? – disse, com um olhar compreensivo, mas que não conseguia esconder o constrangimento, uma senhora que embarcava ao meu lado.              &n...

Ed - parte 5 (Fim...)

Com os nervos à flor da pele, virei-me vagarosamente, segurando a respiração, e deparei-me com aquela figura esquálida, os cabelos finos escapando da cartola impecavelmente contrastante com seu macacão azul escuro de zelador, onde repousava o misterioso crachá intitulado “Ed”. O semblante sereno e sorridente me fitava pacientement...

Ed - parte 4 (e se aproxima o fim...)

                Ainda sem fôlego pela descida apressada do sótão, cheguei ao quarto onde titia Gertrudes e eu estávamos hospedadas a tempo de ver Garibaldi Feliciano cutucando a mala de titia em busca, muito provavelmente, de petiscos (nada saudáveis, como e...

Ed - parte 3

- Garibaldi... – sussurrei entre os dentes. – Garibaldi Feliciano, seu gato abusado, se você não aparecer nesse instante eu juro que... – interrompi a manifestação mais honesta do meu desespero considerando que talvez aquela não fosse a forma mais inteligente de convencer alguém (ou um gato mimado) a sair de onde quer que ele esti...

Ed - parte 2

(Atenção! Este texto é continuação da história iniciada em "Ed - parte 1"! Por isso, sugiro que se aventure por aquele mistério antes de embarcar na continuação dessa aventura! Boa leitura, e até breve!)                - Ah, não é maravilhoso?!! Eu disse a você que essa viagem valeria à pena, qu...

Ed - parte 1

- Francamente! Deveriam acrescentar uma estrela a esse hotel pelo prêmio de lentidão e incompetência dos funcionários! – disse, em alto e bom som, uma titia Gertrudes absolutamente irritada, com as bochechas já vermelhas de tanto arfar na orelha da moça à nossa frente que, educadamente, lançava risinhos desconfortáveis em nossa d...

Carta à Estrela da Manhã

“Minha cara amiga...                 Talvez esteja surpresa por ler essas minhas palavras... francamente, eu também me espantei pela inexplicável e súbita vontade de escrever-lhe, mas como bem sabe, eu nunca tive domínio sobre esse vendaval de sons e tons...

O vôo

- COMO SE ATREVE?             - Mas senhora..             - Não me venha com “mas”! Você não pode me obrigar, e ponto final!             - Mas as regras da compa...

É preto... e velho

“É preto... e velho.”             Titia revirou os olhos à minha vigésima primeira reclamação do dia. Já estava perdendo a paciência, mas em minha defesa, não era eu quem havia tido a brilhante ideia de ir a uma excursão para assistir às “maravilhosas e raras espécimes de g...

Acasos

“T... T... Ta... Tas... Ou será Taws?.. Talvez Tasw? Não... Não é isso... Como era mesmo o nome?!...” Eu murmurava, agachada rente ao chão, corajosamente recepcionando em meus pulmões uma assembleia de ácaros e poeira de um carpete possivelmente adquirido na virada do século, fortemente sujeita a ser tachada de louca caso não estivesse em...

Quatro da manhã

           “Quatro da manhã, cemitério, café.”            “Quatro da manhã, cemitério, café.”“Quatro da manhã, cemitério, café.”            Puxei a manga do meu casaco para cobrir minhas mãos que ameaçavam cair, tamanho o frio que fazia naquela madrugada; funguei alto (porque, enfim... Não havia ninguém muito vivo para reclamar da mi...