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Em tempos de pandemia: prudência redobrada!

13 de Janeiro de 2020 às 13h10

Atravessamos, sem sombra de dúvidas, um dos momentos mais turbulentos e desafiadores da história recente da humanidade. A alteração da rotina de vida no planeta provocada de maneira brusca e contundente pela pandemia de Covid-19, doença desencadeada por meio da propagação do sarscov-2 (sigla para a Síndrome Aguda Respiratória Severa provocada por um novo vírus da família do Coronavírus), vem causando uma série de transtornos de natureza não apenas social e econômica, mas também de cunho psicológico e espiritual. E, mediante momentos iguais a esse a primeira orientação mais segura é a de buscarmos nos manter o mais sereno possível e assim, não sucumbirmos emocional e espiritualmente deixando-nos naufragar em meio a onda de ansiedade e medo desenfreada e avassaladora que varre o planeta.

Para isso, uma das atitudes preventivas mais indicadas é a de buscarmos nos amparar na virtude da prudência, a primeira e mais importante para o enfrentamento de situações ameaçadoras iguais a que vivemos na atualidade. É por meio da prudência que conseguiremos nos precaver dos perigos e inconveniências que encaramos pela frente e que costumam tornar a situação ainda mais grave e comprometedora. Entre esses riscos está a disseminação em larga escala de informações infundadas, inverídicas que são assimiladas por uma grande quantidade de pessoas como a mais pura verdade. Em geral, são explicações a priori, convincentes e que aparentam fazer sentido, mas que analisadas melhor à luz da razão e do que apregoa o espírito da prudência, vê-se tratar de informações sem fundamento ou, no mínimo, suspeitas e que na falta de instrumentos que possam lhes atestar a veracidade, o ideal é serem descartadas.

Dentro desta perspectiva, é preciso termos muito cuidado com o teor de determinadas mensagens que estão circulando pelas redes sociais em larga escala na qualidade de comunicações psicografadas e que apresentam explicações para o momento desafiador enfrentado. É o caso, por exemplo, de uma determinada carta cuja autoria vem sendo atribuída a um espírito identificado como Alex Bardonnie que se diz pertencer a uma agrégora espiritual denominada “Projeto Nova Luz” a qual estaria sob o comando de Bezerra de Menezes. Apesar da mensagem apresentar alguns dados que se revestem de hipóteses plausíveis, a exemplo da afirmativa de que a causa de todo esse transtorno pelo qual atravessamos ter como causa o fato de a grande maioria dos seres humanos estar subutilizando sua existência em decorrência de um estilo de vida antagônico com o que é apregoado pelas verdades supremas, isso não é suficiente para que a aceitemos como uma mensagem legítima e, pior, passemo-la adiante como costuma-se fazer com a grande maioria das mensagens que chegam por meio das redes sociais. Mediante situações dessa natureza, a primeira atitude a ser feita à luz da prudência é a de averiguar-se a origem da comunicação, procurando saber, por exemplo, por meio de qual médium tal mensagem foi recebida e em que circunstâncias e lugar. Além do mais saber de quem se trata o espírito comunicador que, no caso mencionado, não há nenhuma menção documentada nem citação feita por algum órgãos espírita oficial. São dados primários e que, ainda que não sejam suficientes, devem sempre ser levados em consideração por aumentar a probabilidade de veracidade da mensagem.

Vale aqui adotarmos prudentemente, uma das valiosas recomendações que foram transmitidas por Allan Kardec, o codificador considerado o bom senso encarnado que, ao falar-nos sobre as mensagens mediúnicas nos deixou a seguinte dica contida no Livro dos Médiuns (Cap XXIV, item 266): “Por mais legítima confiança que vos inspirem os Espíritos [...], há uma recomendação que nunca seria demais repetir e que deveis ter sempre em mente ao vos entregardes aos estudos: a de pesar e analisar, submetendo ao mais rigoroso controle da razão todas as comunicações que receberdes [...]”. Algo reforçado por outras mensagens transmitidas por espíritos respeitáveis, a exemplo de André Luiz que, no livro “Conduta Espírita”, nos aconselha a “Ponderar com especial atenção as comunicações transmitidas como sendo da autoria de algum vulto célebre e somente acatá-las pelos conceitos com que se enquadrem à essência doutrinária do
Espiritismo”.

Que possamos, portanto, valer-nos da prudência como uma das virtudes mais que necessárias em nossa jornada. E, não apenas em momentos iguais a esse que estamos todos enfrentando e mediante o qual a postura prudente se faz mais que recomendável para todo aquele que se diz cristão, mas sempre, pois como nos assevera Victor Hugo: “A prudência é a filha da sabedoria”. E sabedoria, para além da fé robusta e da esperança é tudo o que mais precisamos no enfrentamento das batalhas neste mundo de provas e expiações que se encontra em nítido processo de transição rumo à condição de mundo regenerado.