11/11/2019 às 14h45

Idosa proibida pelo marido de estudar faz Enem pela 1ª vez e sonha em ser contadora

Hypeness

Imagina passar quase 40 anos fora da sala de aula e voltar um dia? Imagina ser impedida por seu marido de estudar? Hoje a gente vai te contar a história da dona Maria Rosalina, moradora da Zona Sul de Porto Velho, Rondônia. Ela estava em uma dos locais de prova do Enem no domingo (10), em busca do sonho de ser contadora.

Maria Rosalina se formou em contabilidade em uma espécie de técnico no Ensino Médio, mas isso não é o suficiente para ela, que passou boa parte dos últimos anos apenas cuidando de seus filhos, sobrinhos e enteados. Um obstáculo para fazer faculdade era o marido, que a impediu de estudar enquanto eles estiveram juntos. Ele a deixou há alguns anos e, desde maio, ela veio se preparando para o Exame Nacional do Ensino Médio.

“Tem 37 anos que eu terminei meu ensino médio e sempre tive vontade de fazer faculdade. Tive os filhos. O marido não apoiava e nunca me deixou trabalhar fora. Eu vivia cuidando de filho, sobrinho, enteado”, afirmou Maria Rosalina em entrevista ao G1 Rondônia.

Ela diz ter se sentido mal na primeiro prova devido a dores na coluna por ficar muito tempo sentada e também não pôde estudar para o segundo dia – que conta com Matemática e Ciências Natureza no currículo – porque teve algumas consultas médicas no período. Entretanto, isso não retirou o seu desejo de estudar e poder se formar. “Espero que eu passe. Meu sonho é ser uma contadora pra ajudar as pessoas”, acrescentou Maria.

Outros idosos no Ensino Superior

Não é só Maria Rosalina que foi atrás de uma formação – em um alívio de opressão machista – para alcançar o seu sonho mesmo depois de ter passado da juventude. Aqui no Hypeness a gente está sempre de olho nesse tipo de história inspiradora. Em 2018, contamos a história da dona Luiza, de 87 anos, que entregou seu TCC à mão e se formou nutricionista em uma universidade do interior paulista.

Falamos ainda sobre o caso de Manoel Castro dos Reis, também de 60 anos, que entrou a faculdade de história da Universidade Federal do Tocantins. Ele é segurança de uma escola municipal de Palmas e tem o sonho de virar professor da escola em que trabalha.

“Acredito que nasci com o dom de escrever. Escrevo crônicas, causos, algumas poesias não rimadas. Sempre procurei me manter atualizado, mesmo na época em que não podia frequentar a escola. E história sempre foi algo que me fascinou”, contou Manoel à Gazeta do Povo.