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Fake news e o cristão

11 de Janeiro de 2020 às 20h30

Assunto em alta é a polêmica que gira em torno das chamadas “Fake News” ou notícias falsas. O vocábulo em inglês é um dos muitos que absorvemos nas mais habituais conversas brasileiras, saxonizando nosso idioma em nome da globalização e se banalizando pela sua ampla utilização com os mais variados objetivos, sempre despidos de nobreza..

Embora sempre tenha existido, consagrou-se uma instituição social – mesmo que nociva – desde a eleição dos Estados Unidos em 2016, quando foram detectadas por empresas especializadas um sem número de falsos perfis em redes sociais, cujo fim era a disseminação de conteúdo duvidoso, prejudicial à imagem de adversários políticos. 

Desde então, constatou-se o alcance das redes sociais e sua influência na opinião pública, permitindo também o surgimento de celebridades no ambiente virtual, cuja importância é contada em número de “seguidores”. 

Até então, seria apenas um aspecto do progresso da tecnologia, com inúmeros benefícios para o rápido tráfego da informação, para a aproximação de pessoas, oportunização de exposição de ideias pelas minorias que antes não tinham qualquer canal para se expressar. Mas seu potencial destrutivo não tardou a gerar situações delituosas, causando prejuízos a pessoas e instituições, tanto que deu ensejo à proposição da Lei Brasileira de Liberdade, Responsabilidade e Transparência na Internet (PL 2.630/2020), ainda não promulgada.

Fato é que a divulgação de notícias falsas, distorcidas, distantes da verdade, podem motivar danos – além dos individuais, à imagem dos cidadãos - a muitos compartimentos da sociedade, como a saúde, a segurança, a política, a religião, muitos deles de difícil ou mesmo impossível reparação.

No meio Cristão, redobremos os cuidados com a disseminação de informações, notícias, citação de textos e propagação de quaisquer ideias prejudiciais à cultura da paz e da harmonia. Não devemos nos deixar arrastar irracionalmente, sobretudo por termos como baliza as Leis Divinas, o Evangelho do Cristo e a Doutrina dos Espíritos.

Afinal, o ambiente virtual não é um mundo à parte, mas sim uma extensão do mundo material em que estagiamos, requerendo, ao nele transitar, que busquemos a coerência entre o que cremos e aquilo que externamos. Cabe, pois, refletirmos a respeito daquilo que lemos, daqueles a quem “seguimos”, onde apomos nossas “curtidas” e qual o conteúdo do que veiculamos, já que em todos estes atos, continuamos sendo os mesmos.

E se tratando de divulgação da Doutrina Espírita, especificamente, atentemos para a responsabilidade que acompanha uma mera citação de frase atribuída a determinado autor de específico livro, muitas vezes nem mencionando o volume onde a ideia supostamente se encontra. Antes de publicar ou repassar um texto, pois, certifiquemo-nos de que realmente foi proferido pelo autor indicado, não esquecendo de checar o livro de onde foi extraído, dando o devido crédito a quem de direito. 

Muitos equívocos podem ser evitados, desde não se permita que verdadeiros absurdos sejam dedicados a autores que jamais emitiram tais sentenças, por vezes pinçadas e mencionadas em interesse egoístico, manipulando situações sob o suposto escudo do nome de injustiçados vultos.

O Espírita responsável sempre cuidará de observar a sintonia do seu discurso com o conteúdo da Doutrina Espírita, a consistência do tema, posto que como formadores de opinião, podemos inspirar a valorização da paz ou incitar a belicosidade, podemos abrir um horizonte de esperanças e também levar desespero e dor. O nosso livre-arbítrio também é utilizado nas pequenas coisas. E como Espíritas, havemos de alimentar, para bons sermos, a “maturidade do senso moral” referida no Evangelho, no capítulo VII – Sede perfeitos.

E como saber se a informação é falsa? Pesquisando. Não conseguindo constatar a veracidade dos dados, abstenhamo-nos de propagar. Além disso, façamos uma simples reflexão a respeito da informação, para saber se vale a pena assimilar ou repassá-la: EDIFICA? CONSTRÓI? ELEVA? 

Kardec, ao tratar da Influência moral do médium nO Livro dos Médiuns (cap. XX), recomenda que “Na dúvida, abstém-te, diz um dos vossos velhos provérbios. Não admitais, portanto, senão o que seja, aos vossos olhos, de manifesta evidência. Desde que uma opinião nova venha a ser expedida, por pouco que vos pareça duvidosa, fazei-a passar pelo crisol da razão e da lógica e rejeitai destrambelhadamente o que a razão e o bom-senso reprovarem. Melhor é repelir dez verdades do que admitir uma única falsidade, uma só teoria errônea. (...) “Lembrai-vos, no entanto, ó espíritas! de que, para Deus e para os bons Espíritos, só há um impossível: a injustiça e a iniquidade”. A recomendação vale pra todos. 

Numa sociedade que se encaminha para o mundo de regeneração, as Fake News não têm acolhimento. A Lei de Causa e Efeito estabelece as consequências de atitudes afrontosas ao próximo e a legislação humana já está tratando de coibir tais práticas, coibindo-as com propósito educativo. No entanto, a quem muito é dado, muito é solicitado, de forma que não se coaduna com uma postura cristã a disseminação irresponsável de notícias falaciosas e prejudiciais a quem quer que seja.

Luiza Úrsula Matias de Azevedo
Trabalhadora da Federação Espírita do Rio Grande do Norte - FERN