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A pandemia e voluntariado

28 de Janeiro de 2020 às 10h00

A pandemia que atingiu todo o planeta é vista pela Doutrina Espírita como um flagelo destruidor, uma calamidade que teve incidência em todo o orbe, mostrando-se, conforme questão 740 do Livro dos Espíritos, como “provas que dão ao homem ocasião de exercitar a sua inteligência, de demonstrar sua paciência e resignação ante a vontade de Deus, e que lhe oferecem ensejo de manifestar seus sentimentos de abnegação, de desinteresse e de amor ao próximo, se não estiver dominado pelo egoísmo.”

Os flagelos destruidores são episódios naturais com potencial destrutivo, como a “peste, a fome, as inundações, as intempéries fatais às produções da terra”(LE. Q. 741) e tem Deus o fim de, com eles, fazer com que a humanidade tenha seu progresso acelerado, estabelecendo uma melhor ordem das coisas vigentes, para que se realize em anos o que adviria apenas em séculos (LE. Q 737).

Tal progresso tanto ocorre na esfera moral quanto na intelectual. A humanidade se sente compelida a melhorar a qualidade de vida da população, empenhando-se com mais afinco às pesquisas científicas que têm por objetivo o tratamento de doenças que assolam coletividades, como estamos assistindo atualmente, ao constatarmos que cientistas de todos os cantos do mundo buscam uma vacina eficaz contra o vírus que assola o orbe e contra o qual nada há a não ser o distanciamento físico e a higiene.

No campo moral, os sentimentos de abnegação, desinteresse e amor ao próximo manifestam-se muito visivelmente pelo trabalho voluntário. Durante a pandemia, multiplicaram-se as iniciativas de solidariedade, uma vez que o novo corona vírus atacou democraticamente toda a extensão do planeta, trazendo a lembrança de irmandade, de igualdade do homem, independentemente das circunstâncias em que experimente na atual encarnação.

Assim é que muitos se sentiram impelidos à prática do bem, pararam obrigatoriamente suas atividades, refletiram, reservaram um tempo para o autoconhecimento e para as leituras construtivas, buscaram ocupação útil para o momento de isolamento social e descobriram meios de servir ao próximo. Os exemplos são os mais surpreendentes, indo daqueles que cantaram em suas varandas para alegrar os vizinhos, até os que se dispuseram a angariar alimentos, material de higiene imprescindível para a prevenção de contágio, levando-os aos menos favorecidos.

Falando especificamente em termos de Brasil, temos dados de pesquisa realizada pelo IBGE em 2018 que apontavam para um percentual de apenas 4,3% de brasileiros identificados como atuantes em voluntariado. Em 2019 presenciamos a tragédia ocorrida na Barragem de Brumadinho e a imensa mobilização do País em favor das vítimas.

Neste ano da pandemia, percebeu-se ainda mais o crescimento das iniciativas de voluntariado, para fazer frente ao estado de necessidade material e emocional que a pandemia impôs aos brasileiros. São muitos os que se dispuseram a doar seu tempo, recursos e conhecimentos em favor da coletividade, empresas que lançaram mão de quantias significativas, insumos, daquilo que dispunham para auxiliar, artistas que promoveram apresentações ao vivo em plataformas de internet com o intuito de angariar donativos e muitas outras situações que demonstram o efeito positivo das reflexões desencadeadas no momento de dor e sofrimento coletivo.


Destacamos, como exemplo especial, uma iniciativa solidária surgida durante o período de pandemia, que está acontecendo em Natal/RN, inspirada em várias outras acontecidas pelo mundo inteiro, que usou a fotografia artística como instrumento de captação de recursos para três instituições beneficentes – a APARN, associação que ensina esportes a pessoas com deficiências severas; a CASA DO BEM, projeto educacional para jovens em situação de vulnerabilidade; e FILHOS DE MÃE LUIZA, projeto esportivo e educacional para crianças carentes da comunidade que leva seu nome.

O projeto se chama Olhar Potiguar e foi idealizado pela fotógrafa Leila Lima, auxiliada pela voluntária e dirigente da APARN, também fotógrafa, Ana Albuquerque. Juntaram-se ao todo 100 fotógrafos potiguares, que doaram duas fotos cada um, tendo por tema as belezas do Estado do Rio Grande do Norte. Tem obtido muito sucesso e já inspira outras iniciativas voltadas para o bem. (https://olharpotiguar.com.br/ ; @olhar_potiguar).

Os talentos são muitos e todos podem contribuir com algo em favor do próximo. O voluntariado representa crescimento para quem o pratica e para quem por ele é favorecido. Olhando ao redor é possível ver as inúmeras possibilidades de auxílio e desprendimento, promovendo-se o bem estar geral e individual, uma vez que é cientificamente comprovado que fazer o bem proporciona saúde e bem estar.

Luiza Úrsula Matias de Azevedo
Trabalhadora da Federação Espírita do Rio Grande do Norte - FERN