03/02/2020 às 07h45

A porta

Chico Xavier /Emmanuel

“Tornou, pois, Jesus a dizer­-lhes: Em verdade vos digo
que eu sou a porta das ovelhas.”(João, 10:7)


Não basta alcançar as qualidades da ovelha, quanto à mansidão e ternura,
para atingir o Reino Divino.
É necessário que a ovelha reconheça a porta da redenção, com o
discernimento imprescindível, e lhe guarde o rumo, despreocupando-­se dos apelos
de ordem inferior, a eclodirem das margens do caminho.
Daí concluirmos que a cordura, para ser vitoriosa, não dispensa a cautela na
orientação a seguir.
Nem sempre a perda do rebanho decorre do ataque de feras, mas sim
porque as ovelhas imprevidentes transpõem barreiras naturais, surdas à voz do
pastor, ou cegas quanto às saídas justas, em demanda das pastagens que lhes
competem. Quantas são acometidas, de inesperado, pelo lobo terrível, porque,
fascinadas pela verdura de pastos vizinhos, se desviam da estrada que lhes é própria,
quebrando obstáculos para atender a destrutivos impulsos?
Assim acontece com os homens no curso da experiência.
Quantos espíritos nobres hão perdido oportunidades preciosas pela própria
imprudência?
Senhores de admiráveis patrimônios, revelam-­se, por vezes, arbitrários e
caprichosos. Na maioria das situações, copiam a ovelha virtuosa e útil que, após a
conquista de vários títulos enobrecedores, esquece a porta a ser atingida e quebra as
disciplinas benéficas e necessárias, para entrega­r-se ao lobo devorador.