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Qualidade de vida e propósito de vida na visão espírita

10 de Agosto de 2026 às 15h15

A qualidade de vida é um conceito multidimensional que compreende um conjunto de condições que contribuem para o bem-estar. Complementando, segundo o dicionário da língua portuguesa qualidade de vida é sinônimo de bem-estar e satisfação no sentido de vida.



As dimensões imediatas da qualidade de vida são: 


Alimentação que é essencial para a recuperação energética e o aquecimento metabólico e fisiológico.


Saúde que é necessário para preservar nossos corpos contra enfermidades que possam acabar com a nossa experiência na Terra.


Emprego que no contexto de um mundo capitalista no qual é o dinheiro que manda, ter um emprego é fundamental para que possamos ter uma renda que nos permita sobreviver e também curtir a vida em todas as suas dimensões.


Moradia que permite que tenhamos momentos de repouso e proteção contra as adversidades externas.


Segurança que permite que possamos exercer nosso direito de ir e vir e não termos a integridade física, moral e psíquica atingida pela criminalidade.


Educação que permite que tenhamos consciência dos nossos deveres e direitos bem como da realidade humana e natural que nos cerca e lutarmos para a manutenção dos tais direitos.


Água e saneamento que é essencial para a fisiologia, metabolismo e realização de tarefas domésticas essenciais.


Energia e gás que é essencial para a realização de atividades que demandam iluminação e eletricidade bem como ajudar na regulação térmica dos ambientes internos.


Telecomunicações, isto é, operadoras de telefonia, internet, TV e rádio que permite que tenhamos direito ás informações, de se expressar, reunir, manifestação e trocar experiências e afetos.


Lazer\Cultura que são as várias dimensões dos prazeres da vida que dá satisfação no sentido de vida e bem-estar. Dentre essas dimensões do lazer estão: artes, esportes, cinema, entretenimento televisivo, literatura, jogos, turismo, aventuras radicais, observação da natureza e seus fenômenos, cursos de idiomas, espiritualidade e até ciência — além dos encontros sociais em restaurantes, bares, festas, praias, cachoeiras, shoppings, parques de diversão, eventos culturais, festivais tradicionais e instituições religiosas,



Existem lugares com alto índice de bem-estar? Segundo o IDH que mede educação, saúde e poder de compra os países com a maior qualidade de vida são alguns países europeus, Hong Kong, Singapura é Austrália. Já segundo o IPS que mede a qualidade de vida de acordo com saúde, educação, poder de compte, oportunidades, lazer, moradia, segurança, energia elétrica e afins o top 10 são países europeus mais o Japão e o Canadá. É por fim segundo o Índice Global da Paz que mede segurança pública e pacifismo nas relações exteriores nas primeiras posições está a Islândia, Dinamarca, Irlanda, Nova Zelândia, Áustria, Singapura, Portugal, Eslovênia, Japão e Suiça. Porém o bem-estar não é universal pois existe muita desigualdade social, fome, déficit habitacional, desdemocratização do acesso á energia, água, saúde, educação, lazer e cultura, feminicídio e outras mazelas sociais no resto do mundo e até nesses países que são ilhas de desenvolvimento e bolhas de qualidade de vida no mundo. 



A ONU em um esforço mundial de univeralisar a qualidade de vida, isto é, o bem-estar têm estabelecido metas para alcançarmos a qualidade de vida universal e a plena felicidade até 2030. Dentre às metas há a erradicação da pobreza e da fome até metas relacionadas com a questão ambiental e o desenvolvimento sustentável. 



E que é a felicidade? É o bem-estar, satisfação e o sentido de vida realizado e há varias formas de se buscar o sentido de vida. São eles:


A busca incessante por sucesso profissional e financeiro.


A busca incessante para mudar o mundo seja através da política ou de uma religião


Curtir intensamente cada momento da vida em todas as dimensões do lazer\cultura que engloba escutar música e ir em shows musicais, ir ao cinema, ir em festas, estudar buscando o aprimoramento intelectual, apreciar as artes ou desenvolver as habilidades artísticas (pintura, desenho, fotografia, artesanato, moda, decoração de casa...), viajar, jogar videogame ou jogos de mesa, promover encontros em bares, restaurantes, praças e praias, ir em parques de diversão e aquáticos, praticar esportes diversos, ir ao teatro, assistir programas de TV de entretenimento, ler ou escrever livros, fazer fofocas e socializar e observar a natureza e seus fenômenos.


Buscar o aprimoramento moral e intelectual individual e coletivo com ou sem a ajuda de uma religião.



E para o espiritismo, como alcançar a qualidade de vida plena, isto é, o bem-estar e a felicidade?



No livro dos Espíritos, Allan Kardec introduziu as leis morais, que junto com o entendimento das leis da natureza pelo aprimoramento intelectual, o homem vai alçando degraus mais elevados na evolução espiritual até chegar nos planos mais elevados onde está a verdadeira felicidade.



No capítulo V intitulado Bem aventurados os aflitos do Evangelho Segundo o espiritismo, os Espíritos dizem que a felicidade não é desse mundo e que para alcançá-la é preciso se tornar um homem de bem que segundo o capítulo XVII intitulado sede perfeitos e mais especificamente no item 3 intitulado homem de bem, para alcançar a felicidade, isto é, o bem-estar e a satisfação no sentido de vida é preciso compreender e praticar as leis morais se aprimorando moralmente e intelectualmente e fazendo o bem com o objetivo de levar sua contribuição para mudar o mundo que em breve sairá do mundo de provas.



Em uma visão espírita, portanto, a qualidade de vida plena não se resume à quantidade de bens materiais, ao conforto, ao sucesso profissional ou à possibilidade de usufruir dos prazeres e experiências que a existência terrena oferece, embora todas essas dimensões possam contribuir legitimamente para o bem-estar durante a encarnação. A vida na Terra seria, sobretudo, uma oportunidade de aprendizado, aperfeiçoamento e evolução do Espírito, na qual as conquistas materiais, intelectuais, afetivas, culturais e morais devem ser utilizadas de maneira equilibrada e consciente. A verdadeira felicidade estaria no progressivo desenvolvimento das virtudes, na compreensão das leis morais e naturais, na superação do egoísmo, na prática do bem e na contribuição para a evolução coletiva. Assim, usufruir das coisas boas do mundo não seria incompatível com a espiritualidade: o desafio seria vivê-las sem transformar os prazeres e as posses em finalidade absoluta da existência, compreendendo que somos Espíritos em uma jornada temporária na Terra. Sendo assim, alcançar uma vida verdadeiramente plena significa unir qualidade de vida e propósito, aproveitando as experiências terrenas, cultivando relações, conhecimento, cultura, lazer e afeto, ao mesmo tempo em que se busca tornar-se um ser humano melhor e contribuir para um mundo também melhor, até que, através de sucessivas etapas de aprendizado e aperfeiçoamento, o Espírito alcance estados cada vez mais elevados de consciência, liberdade, paz e felicidade.