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A carapaça do eu

23 de Janeiro de 2020 às 15h20

Antonio Carlos Tarquínio

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A ascese de aperfeiçoamento em nosso modo de ver e sentir para avançarmos rumo à vida superior requer de nós o esforço de reiteradas leituras no curso da existência que nos possibilite acolher e interpretar o sentido da caminhada que fazemos de vez que somente a custa do processo criativo de constantes ressignificações é que seremos capazes daquela autotransformação que permitirá a conversão do ser rumo à compreensão abrangente da vida para além da carapaça cristalizada que enceguece o eu.  

O maior problema da criatura hoje em dia - mas que vem se arrastando desde que o mundo é mundo - é o da percepção da coexistência no plano da convivência justa, da consciência da falta de equanimidade e de real bondade a fim de que haja mais inclusão do enorme contingente de injustiçados no sistema de benefícios vigente, reservado apenas a alguns privilegiados, direitos que deveriam ser estendidos a todo cidadão.

A mudança efetiva da sociedade deste mundo para outro melhor, e mais justo, há de passar pelo indivíduo que transformado promoverá a mutação de toda existência em redor de seus passos.

À vista disso, trabalhemo-nos individualmente em meio à coletividade, afastando de nós próprios a visão egocentrada, permitindo-nos funcionar na direção do todo de que fazemos parte, buscando efetivamente criar espaços humanitários onde possa grassar e imperar a paz justa e o amor, para que cada vez mais pessoas desfrutem dos bens que a sociedade produz.

¹ Francisco C. Xavier. Fonte viva. Pág.65.