20/11/2017 às 08h40

Mãe sobre a morte de dois filhos: "Nunca vou esquecer a dor, mas não dói mais"

Célia Diniz, autora de "Vencendo a Dor da Morte", palestrou no Centro Cultural CEEE Erico Verissimo na tarde deste sábado

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Célia Diniz foi acometida duplamente pelo mais terrível dos infortúnios: enterrou dois de seus três filhos. A autora de Vencendo a Dor da Morte – A História Real de uma Mãe e a Superação da Perda de seus Filhos (Editora Intervidas), proferiu uma palestra no Auditório Barbosa Lessa do Centro Cultural CEEE Erico Verissimo e depois participou de sessão de autógrafos, na tarde deste sábado (18), como parte da programação do penúltimo dia da 63ª Feira do Livro de Porto Alegre.
A primeira morte ocorreu há mais de três décadas – Rangel, seu caçula, então com três anos, bateu a cabeça ao cair de uma bicicleta conduzida pela babá em 1983. Mariana, aos 27 anos, não resistiu a uma dengue hemorrágica. O casamento de Célia não resistiu ao segundo óbito.

— Uma das maiores dores que o ser humano passa é se despedir de um ente querido e seguir vivendo — disse a professora aposentada.
A fala de Célia foi repleta de menções ao espiritismo, doutrina que segue fielmente, e ao médium Chico Xavier, amigo de sua família com quem conviveu. Célia preside um centro espírita em Pedro Leopoldo (MG), em uma casa onde Chico viveu.
— Bendita doutrina que me ensinou a ver Deus através das lágrimas.
Célia recordou que, no começo, pensava que jamais se livraria do sofrimento. Quando Rangel morreu, ouviu da mãe, que também já havia enfrentado a perda de filhos, que um dia a dor passaria. A escritora contou lembrar da risada solta da mãe e de vê-la levando a vida com entusiasmo, apesar de todos os infortúnios.
— Estamos condicionados a pensar que vai doer para sempre. Nunca vou esquecer a dor, nunca vou esquecer o trauma, nunca vou esquecer a angústia. Eu lembro que doeu, mas não dói mais. As pessoas me perguntam: "Essa dor passa?" E eu garanto que vai passar — contou a palestrante.
A autora falou muito, por iniciativa própria e também a partir de questionamentos da plateia, em reencarnação, mortes precoces e trágicas e de ligações e desdobramentos que cada um aceita para sua própria vida — inclusive a maneira como vai morrer — antes de nascer.
— Nosso espírito já sabe quando a gente vai voltar, e Deus cuida para que a gente não vá antes da hora — explicou.
Um espectador perguntou como as pessoas que ficam podem passar vibrações positivas para parentes e amigos que faleceram.
— Morrer não é fácil. O trauma de ver um corpo estragado, uma agonia final, um parente no CTI, isso vira uma ideia fixa (para nós). Temos que substituir essas memórias. Lembre da pessoa nos momentos felizes, nos momentos de saúde. É como se você estivesse, com o seu amor, fabricando um remédio para as sequelas levadas na alma.