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11/09/2017 às 08h40

Valorização da vida: olhar espiritual, por Antonio Perri de Carvalho

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Ao ensejo da campanha Setembro Amarelo, com foco na valorização da vida e prevenção ao suicídio, tornam-se oportunos alguns comentários sob a ótica espírita. A questão da imortalidade é tratada de forma aprofundada pelo Espiritismo, sendo esta sua tarefa fundamental, inclusive evocando o Mestre: “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” (João, 10.10).

Na obra inaugural do Espiritismo – O Livro dos Espíritos – há uma clara definição: “Qual o primeiro de todos os direitos naturais do homem? – O de viver. Por isso é que ninguém tem o de atentar contra a vida de seu semelhante nem de fazer o que quer que possa comprometer-lhe a existência corporal” (questão 880). Em outras considerações interessantes, com base no Cristianismo e no Espiritismo, destacamos o apóstolo Paulo: “Glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus” (I Cor., 6.20). E o espírito André Luiz define com clareza em dois comentários: “O corpo é o primeiro empréstimo recebido pelo Espírito trazido à carne” (do livro “Conduta Espírita”); “ temos necessidade da luta que corrige, renova, restaura e aperfeiçoa. A reencarnação é o meio, a educação divina é o fim” (de “Missionários da Luz”).

Nas citações de o Novo Testamento, de obras de Allan Kardec, codificador da Doutrina Espírita e do espírito André Luiz, nota-se a coerência entre os ensinos do Cristo e do Espiritismo a respeito do valor do corpo. A certeza de que somos espíritos reencarnados e em processo de aprimoramento é de fundamental importância para a melhor compreensão dos valores e da oportunidade da vida corpórea, e também para se compreender o porquê de se realizar a profilaxia de todos os processos que podem interromper a vida.

À vista desses conceitos, altera-se o conceito de morte, pois o que morre é o corpo; o espírito é imortal. Após a morte do corpo, o espírito mantém sua individualidade e identidade, como mostram milhares de cartas psicografadas por Chico Xavier, em que os chamados “mortos” se dirigem a seus familiares.

Em mensagens espirituais históricas incluídas por Allan Kardec no livro “O Céu e o Inferno” e outras psicografadas por Chico Xavier, nota-se a surpresa de espíritos que partiram para o mundo espiritual na condição de suicidas, pois apesar de terem encerrado a existência material prosseguiam vivos, pensando, reagindo e sentindo a situação de terem interrompido a vida do organismo. Sempre há caminhos e soluções para os momentos de dificuldades e de impasses existenciais. E devem ser procurados e valorizados os apoios de profissionais especializados, além das contribuições de natureza espiritual ou religiosa.

A partir de 2017, o Movimento Espírita multiplica contribuições doutrinárias durante a Campanha Setembro Amarelo. Dirigentes de instituições das cinco regiões do Brasil impulsionam o Projeto Amor à Vida!, formato que visa ampliar ações já existentes. O objetivo é divulgar o conteúdo espírita em favor da vida, contra o suicídio: multiplicadores estão abordando o tema nas exposições habituais da Casa Espírita e em outros eventos especiais. O espírito Emmanuel, orientador de Chico Xavier, conclama: “Guarda, pois, a existência como dom inefável, porque teu corpo é sempre instrumento divino, para que nele aprendas a crescer para a luz e a viver para o amor, ante a glória de Deus” (do livro “Religião dos Espíritos”).