27/03/2019 às 11h35

Pai de vítima de massacre de Suzano vê 'duas homenagens' em balão de jogo

Arlindo Dionizio encontrou o balão lançado pelo Corinthians em homenagem a Samuel, uma das vítimas do massacre de Suzano, e entregou pessoalmente ao pai do estudante

UOL

No último domingo (17), o Corinthians recebeu o Oeste pelo Campeonato Paulista e venceu por 1 a 0. Antes do jogo na Arena Corinthians, porém, jogadores das duas equipes soltaram balões como homenagem às vítimas do massacre em uma escola de Suzano (SP), ocorrido quatro dias antes.

Por coincidência, um dos balões foi parar justamente em Suzano - o que levava o nome de Samuel Melquíades Silva de Oliveira, uma das vítimas. E o objeto, encontrado por Arlindo Dionízio, foi entregue pessoalmente a Gercialdo Melquíades de Oliveira, o pai do estudante.

Apesar da perda familiar, Gercialdo viu o fato de maneira positiva. "Eu encarei como duas homenagens diferentes. Primeiro: a do Corinthians, que homenageou meu filho e todas as outras vítimas. Quando seu Arlindo achou o balão, eu encaro como uma segunda homenagem - não para o Samuel, mas agora para mim, como pai dele", disse o pai de Samuel, em entrevista divulgada hoje pelo programa Fantástico, da Rede Globo.

Arlindo, que achou o balão durante uma caminhada, demorou a confirmar que o balão tinha sido um dos que haviam sido soltos na Arena Corinthians.

"A gente entrou no site do Corinthians, pegamos (fotos de) jogador com balão na mão, soltando o balão. Aí comparamos direitinho e vimos que realmente era de lá", disse Arlindo, torcedor do São Paulo, também à emissora.

Em sua entrevista, ele lamentou a tragédia. "A gente se põe no lugar daqueles pais que perderam o filho. O carinho que ele tinha pelo filho dele é o mesmo que eu tenho pelo meu filho", disse.

O goleiro do Oeste, Matheus Cavichioli, foi o responsável por soltar o balão antes do jogo. E também viu com bons olhos a entrega ao pai de Samuel.

"Fui o escolhido naquele momento para estar com aquele balão. E o balão foi até lá. Quem sabe, por que não, acreditar que o balão voltou para casa?", cogitou.