29/01/2019 às 08h40

FILHOS

Emmanuel / Chico Xavier

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Nasce a criança, trazendo consigo o patrimônio moral que lhe marca a
individualidade antes do renascimento no plano físico; no entanto, receberá os
reflexos dos pais e dos mestres que lhe imprimirão à nova chapa cerebral as
imagens que, em muitas ocasiões, lhe influenciarão a existência inteira.
Indiscutivelmente, a instrução espera-lhe o espírito em nova fase,
enriquecendo-lhe o caminho nesse ou naquele mister; contudo, importa
reconhecer que a palavra escrita, em confronto com a palavra falada ou com o
exemplo direto, revela poderes de repercussão menos vivos, mormente quando
torturada entre os preconceitos da forma gramatical.
E que a voz e a ação prática jazem impregnadas do magnetismo indutivo
que se desprende da reflexão imediata, operando significativas transformações
para o bem ou para o mal, segundo a natureza que lhes personaliza as
manifestações.
As crianças confiadas na Terra ao nosso zelo são portadoras de
aparelhagem neurocerebral completamente nova em sua estrutura orgânica, à
feição de câmara fotográfica devidamente habilitada a recolher impressões. A
objetiva, que na máquina dessa espécie é constituída por um sistema de lentes
apropriadas, capazes de colher imagens corretas sobre recursos sensíveis, é
representada na mente infantil por um espelho renovado em que se conjugam
visão e observação, atenção e meditação por lentes da alma, absorvendo os
reflexos das mentes que a rodeiam e fixando-os em si própria, como elementos
básicos de Conduta.
Os pequeninos acham-se, deste modo, àmercê dos moldes espirituais dos
que lhes tecem o berço ou que lhes asseguram a escola, assim como a argila
frágil e viva ante as idéias do oleiro.
Não podemos, pois, esquecer na Terra que nossos filhos, embora
carreando consigo a sedimentação das experiências passadas, em estágios
anteriores na gleba fisiolõgica, são Companheiros que nos retomam transitoriamente o convívio, quase sempre para se reajustarem conosco, aos
impositivos da Lei Divina, necessitados quanto nós mesmos, de provas e
ensinamentos, no que tange ao trabalho da regeneração desejada.
Excetuados aqueles que transcendem os nOSSOS marcos evolutivos, à
face da missão particular de que se investem na renovação do ambiente
comum, todos eles nos sofrem os reflexos, assimilando impressões entranhadamente perduráveis que, às vezes, lhes acompanham os passos desde a
meninice até a morte do corpo denso.
Tratá-los à conta de enfeites do coração será induzi-los a funestos
enganos, porqüanto, em se tornando ineficientes para a luta redentora, quando
se lhes desenvolve o veículo orgânico facilmente se ajustam ao reflexo
dominante das inteligências aclimatadas na sombra ou na rebeldia, gravitando
para a influência do pretérito que mais deveríamos evitar e temer.
É assim que toda criança, entregue à nossa guarda, é um vaso vivo a
arrecadar-nos as imagens da experiência diária, competindo-nos, pois, o dever
de traçar-lhe noções de justiça e trabalho, fraternidade e ordem, habituando-a,
desde cedo, à disciplina e ao exercício do bem, com a força de nossas
demonstrações, sem, contudo, furtar-lhe o clima de otimismo e esperança.
Acolhendo-a, com amor, cabe-nos recordar que o coração da infância é urna24
preciosa a incorporar-nos os reflexos, troféu que nos retratará no grande futuro,
no qual passaremos todos igualmente a viver, na função de herdeiros das
nossas próprias obras