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Rossandro Klinjey

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21/06/2015 às 18h50

A eternidade do efêmero

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“Os veículos de informação de massa exaltam o corpo, fomentam as paixões sensórias, induzindo as novas gerações e os adultos frustrados ao deboche, ao fetiche das sensações, transformando a sociedade em um grande lupanar” (trecho do livro: Entre os dois Mundos de Manoel Philomeno de Miranda, psicografia de Divaldo Franco).
Na busca incessante por novas fontes de identificação pessoal, a alma humana, que estagia no orbe terrestre nestes tempos, tem encontrado inúmeras possibilidades ilusórias, que adiam, cotidianamente, o encontro com o verdadeiro self. Nesse mundo, nessa verdadeira matrix ou Maia (a grande ilusão) como afirmam os hindus, crianças, jovens, adultos e velhos, encontram-se em busca da eternidade do efêmero; uma tentativa desenfreada de manter o corpo físico, essa vestimenta transitória, nos padrões alucinantes e destrutivos dos meios de comunicação.

Sem se darem conta da necessidade de consolidação dos recursos da alma e do aperfeiçoamento moral que demanda tempo, disciplina e paciência, grande parte dos seres humanos dedica tempo e dinheiro em atividades físicas e estéticas, na tentativa de inscrever no corpo sua marca pessoal, seu cartão de visita para impressionar os demais. Ao mesmo tempo em que buscam atrair, através de um sensualismo vazio, parceiros e parceiras para esse (des)encontro.

Nada mais justo de que manter o corpo são, desde que a mente também esteja sã, mas não é o que tem acontecido. Para manter esse corpo, não diria são, mas nos “padrões”, a nossa psique tem pago um alto preço, quais sejam: ninguém consegue ser perfeito, e essa busca gera uma frustração constante, pois sempre existirá uma infinidade de pessoas mais belas e atraentes do que nós; os poucos que encontram-se nesses padrões são escravizados por ele, uma vez que sempre estão se comparando, em todos os lugares e situações, com os demais, na tentativa louca de perceber-se:“espelho, espelho meu, existe alguém nessa balada mais bonito(a) do que eu”, e quando tem, a insegurança toma conta; os “deserdados” da beleza sentem-se inferiorizados, menosprezando a si mesmos e buscando alternativas também ilusórias de compensação, tornando-se os palhaços da turma, os que pagam tudo, os oferecidos, os disponíveis, etc.

Cada qual com sua moeda de troca nas relações pueris. Todos sofrem, todos são vítimas de todos, mas poucos têm coragem de dar um basta e gritar: - isso é uma loucura... Isso é sem dúvida uma loucura, uma insensatez que paralisa e destrói vidas humanas, pois muitos jovens desenvolvem distúrbios como a anorexia e a bulimia, depressões e desencantos.

Uma multidão de homens e mulheres perdendo um tempo precioso, despreparados para o envelhecimento do corpo, por não amadurecerem o espírito.Sem terem construído recursos emocionais e morais, se encontrarão na velhice com o desespero, a decepção e a solidão.

A maioria de nós passará algumas décadas aqui na terra. Todos temos compromisso inadiáveis com a nossa evolução pessoal e com a evolução de nossa sociedade. O tempo perdido, sim perdido, com nosso corpo, irá nos comprometer com o futuro, pois cada um de nós, como na parábola dos talentos, tem contas a prestar de nossas atividades, de nosso crescimento, da felicidade que proporcionamos aos outros, do perdão que demos, da mão que estendemos, do ombro amigo que entregamos, do olhar compreensivo, enfim, do bem que proporcionamos. Fica difícil realizar essas tarefas apenas nos intervalos das academias, dos salões, das baladas, dos shoppings.

Jesus dizia que não se pode servir a dois senhores, a Deus e Mamon, essa assertiva do Mestre é atualíssima, e pode ser revisitada nesta temática, visto que não se pode servir tanto no corpo sem que se comprometa a evolução do espírito. Além do que não deixa de ser uma infatilidade investir no que passa, no corpo e não no que permanece o espírito.