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Rossandro Klinjey

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27/06/2015 às 13h15

No que posso ajudar?

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Certa vez um homem lia no jornal de sua cidade a notícia de que países vizinhos ao seu estavam em guerra. Ele não se preocupou, afinal era no país vizinho, como isso poderia afetá-lo? No mês seguinte as notícias davam conta de que a guerra havia atingindo as fronteiras de seu país, mas ele morava tão longe da fronteira que continuou sua vida como se nada tivesse acontecido. No mês seguinte os jornais estampavam que seu país estava em guerra, mas ele achou que isso não atingiria sua cidade pequena, longe dos conflitos, e assim ele seguiu sua vida, ignorando o que se passava. Até que um dia exércitos inimigos invadiram sua cidade e saquearam sua casa e ele se perguntou: - Por que ninguém me ajudou? Quando vemos tragédias, mesmo que repetitivas como deslizamentos de encostas e morros, ou da destruição das águas provocadas pelas lamentáveis enchentes de Pernambuco e Alagoas, podemos simplesmente dizer: mas por que eles construíram suas casas no morro, nas encostas ou nas margens dos rios? Ou ainda, onde estavam as autoridades que permitiram isso, ou que se omitiram a tudo isso? Embora sejam perguntas legítimas nesse momento, o que devemos nos perguntar é: o que posso fazer para ajudar? Quem vê pela televisão as cenas percebe um pouco do caos que tomou contas das cidades atingidas, mas um relato emocionado como o choro de um homem que tem uma vida devotada a servir ao próximo, nos faz pensar na dor das vítimas e dos que presenciam, in loco, as cenas da catástrofe. Durante uma entrevista radiofônica, Dom Genival Saraiva, bispo de Palmares, que durante anos esteve à frente da paróquia do Rosário, em Campina Grande, não conseguiu completar sua fala, cortada várias vezes pela emoção que tomou conta do religioso quando respondia aos questionamentos do repórter. Um homem acostumado a ver a pobreza de perto e estender suas mãos, não conseguiu conter as lágrimas ante a tragédia humana que espera de nós não apenas críticas, mas, sobretudo gestos. Gestos que falam alto e que têm como objetivo, se não secar as águas, ao menos as lágrimas de alguma família que venha a receber donativos que qualquer um de nós pode providenciar. Aqui mesmo em nossa cidade existem postos de arrecadação. A solidariedade nos chama a todo o momento para que possamos aproveitar a oportunidade de servir primeiro e contestar depois, pois certamente, mais uma vez, não se trata apenas de uma tragédia da natureza, mas há claros componentes de irresponsabilidade pública. Ainda assim, façamos a nossa parte.