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Rosildo Brito

Rosildo Brito é profitente e trabalhador cristão-espírita por crença, jornalista e professor por formação profissional e humanista por convicção.

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03/09/2019 às 10h35

Setembro Amarelo: a vida pede passagem!

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O amarelo toma conta novamente do Brasil como símbolo da campanha "Setembro Amarelo" que visa conscientizar a população acerca de um dos mais graves problemas de saúde pública, o suicídio. O Movimento Espírita se engajou nessa importante ação, com o propósito de mobilizar toda a comunidade espiritista e assim, reforçar aquilo que já é feito permanentemente em todas as casas espíritas que é a valorização da vida, enquanto o bem mais precioso que nos é concedido por Deus. E, nesse sentido, o suicídio passa a ser visto com a maior contravenção que pode ser cometida contra a vontade divina. Não obstante, o índice de suicidas não para de crescer, inclusive no meio espírita.

Os números falam por si. Aproximadamente 32 brasileiros se suicidam diariamente, um suicídio a cada 45 minutos. No mundo, essa estatística sobe para uma morte a cada 40 segundos. Aproximadamente 1 milhão de pessoas se matam a cada ano. Sabe-se que os números são muito maiores, pois a subnotificação é reconhecida. Além disso, os especialistas estimam que o total de tentativas supere o de suicídios em pelo menos dez vezes, conforme está exposto no próprio site da campanha, cujo endereço deve ser acessado por todas as pessoas interessadas para saber mais sobre a iniciativa e sobre como participar voluntariamente (www.setembroamarelo.org.br).

As casas espíritas se tornaram um dos termômetros dessa grave epidemia que toma conta do país e do mundo. É cada vez maior o número de pessoas que, adentram nas instituições espiritistas em busca de socorro e alívio, para os mais diversos transtornos não apenas espirituais mas também psicoemocionais, a exemplo da depressão que também tem componente espiritual, na maioria dos casos. Boa parte delas, com ideias suicidas. E isso inclui pessoas de todas as idades, numa clara demonstração de que vivemos numa sociedade cada vez mais enferma, em que a depressão se torna a principal causa de adoecimento da alma, mente e do corpo físico. Em meio a esse quadro um dado muito importante e que pode fazer toda a diferença na vida das pessoas, chama a atenção.Nove em cada dez mortes por suicídio podem ser evitadas. A informação da Organização Mundial da Saúde (OMS), indica que a prevenção é fundamental para reverter essa situação e assim, salvar vidas.

Portanto, podemos concluir que o avanço assombroso dessa enfermidade que tem levado tantas almas ao ato de maior desespero e gravidade contra a vida que é o suicídio está associado em grande parte ao sentimento de indiferença diante da dor e sofrimento alheio. Em outras palavras, padecemos pela falta de atenção, e de sentimentos enobrecedores como o altruísmo e a abnegação de que tanto nos falam todas as religiões que parecem ainda não ter conseguido levar os fiéis à condição de seres verdadeiramente irmanados, colocando em prática a máxima do Cristo: amai-vos uns aos outros. Nesse sentido, cabe a cada um de nós, trabalhadores da última hora, cientes dessa realidade, buscar trabalhar dentro de nós, esses sentimentos combatendo firmemente a causa da indiferença que é o egoísmo, chaga moral maior da humanidade como nos faz ver o Espiritismo. Esse inimigo íntimo altamente devastador que tanto tem comprometido uma vida mais fraterna e harmônica aqui neste mundo.

Nesse sentido, devemos nos munir dos sentimentos contrários ao egoísmo, dentre os quais o altruísmo e a abnegação e, especialmente, a caridade de que tanto nos fala a doutrina espírita e que parece ainda estarmos um tanto distantes. Isto porque, o que nos falta na maioria das vezes é o sentimento da compaixão, esse que nos leva ao encontro do próximo e tomar um pouco que seja da sua dor, buscando aliviar o cansaço e o desânimo que pouco a pouco vai disseminando a vontade de viver. Por essa razão, o trabalho de recebimento e acolhimento a todas as pessoas que adentram nas instituições espíritas deve ser reforçado, uma vez que em muitos casos, esse é o último pedido de socorro que muitas delas esboçam.

Uma oportunidade também muito valiosa para que possamos todos, combater em nós essa que é a fonte de todas as chagas morais que é o orgulho, o qual nos leva à condição de indiferentes e insensíveis, mas também de seres infelizes, pois o orgulhoso é sempre um grande sofredor. Uma alma frágil que se esconde por trás de sua arrogância , como, aliás, nos faz ver Renato Russo, numa de suas canções reflexivas a nos dizer: “o mal do século é a solidão, cada um de nós imerso em sua própria arrogância esperando por um pouco de afeição”. Somos todos carentes de atenção, afeto e cuidado. Que possamos, desta maneira, sair de nosso casulo e mundo egoico e, num ato revolucionário e salvacionista, estender a nossa mão aqueles que estão mergulhados no universo cinza da depressão, muitos deles bem próximos, mas invisíveis aos nossos olhos egoístas. Que saibamos levar até eles, o tom amarelo da vida que sempre pede passagem em meio as nossas crises e fragilidades humanas e existenciais.