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Rosildo Brito

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01/03/2016 às 08h55

A religião e a chaga da hipocrisia

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Legado inestimável do mundo espiritual para a humanidade, o Espiritismo vem se revelando, ao longo do tempo, uma preciosa candeia que ilumina vidas e horizontes, para muitos já obscurecidos. Não obstante, assim como tem ocorrido, ao longo da história da humanidade, com todos os tesouros celestiais confiados ao homem que, enquanto alma reencarnante e mergulhada temporariamente na dimensão material, ainda se revela um ser extremamente frágil e refém das mais variadas paixões mundanas, esse legado enfrenta, naturalmente, as intempéries das fragilidades humanas, as quais, não fosse a força maior que rege as grandes revelações divinas, estaria essa candeia totalmente ofuscada e deturpada.

Dentre essas fragilidades humanas está a hipocrisia, prática esta, vale frisar, muito comum na seara religiosa e que desde os tempos remotos do Cristianismo primitivo, evidenciava-se como um dos traços característicos do homem religioso, conforme nos fazem ver diversas passagens do evangelho, especialmente, o evangelho de Mateus em que Jesus se apresenta combatendo veementemente os hipócritas daquela época, representados através de grupos religiosos de destaque social, a exemplo dos fariseus e gentios. Trata-se aqui de uma das práticas mais corrosivas da fé religiosa tendo em vista, em muitos casos, sequestrar de muitos, a crença no poder da sinceridade e autenticidade humana. Quantos já não afirmaram ter perdido totalmente a fé na religião e até mesmo no homem, ao terem se deparado com a hipocrisia que permanece regendo a conduta de muitos daqueles que se colocam pseudamente a serviço da fé, e que falam em nome da dignidade e da ética?. Quantos não reclamam haver sido golpeados duramente pela decepção ao atestarem a incoerência que mede a distância existente entre as palavras e os atos de muitos que falam em nome dessas tais virtudes?. Como nos adverte, numa de suas máximas, o grande educador brasileiros de todos os tempos, Paulo Freire: “é fundamental diminuir a distância entre o que se diz e o que se faz, de tal forma que, num dado momento, a tua fala seja a tua prática”.

Eis aqui uma máxima que deveria ser exercício de reflexão diário de todo aquele que se utiliza da retórica religiosa para transmitir toda e qualquer mensagem moralítica. Eis aqui um exercício de combate à hipocrisia, este mal que permanece vívido entre os mais diversos representantes e líderes religiosos, muitos dos quais, vale dizer, se utilizam dos púlpitos e da plateia como forma de exacerbar, ‘despretensiosamente’, a sua vaidade. Não obstante, esse cuidado não deve se restringir ao seleto grupo de representantes e líderes religiosos, palestrantes espíritas, mas sim de todo aquele que, de um modo ou de outro, fala em nome da fé e doutrina que defende e apregoa como roteiro seguro para sua salvação ou melhoramento moral e espiritual. Examinemos atentamente o grau de sinceridade com que vivemos, banindo ao máximo todo e qualquer ato de fingimento que nos levam a este mal secular que é a hipocrisia.