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Rosildo Brito

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02/11/2015 às 13h05

O medo da morte

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Experiência comum a todos os seres humanos (e demais seres vivos), e destino inevitável da vida, ainda sim, a morte continua exercendo um poder assustador para a maioria das pessoas no planeta. Eis aqui um fenômeno que certamente, em detrimento de todo o conhecimento acumulado ao longo dos milênios, continuará provocando, por toda a parte, um turbilhão de sentimentos amedrontante e ao mesmo tempo, um certo fascínio.

Segundo apontam diversas pesquisas, a tanatofobia, ou seja, medo da morte, permanece sendo o maior temor das pessoas, só perdendo em alguns casos, para o medo de falar em público. E a pergunta que sempre permanece em aberto é: por que então tememos tanto esse fenômeno natural e sobre o qual já nascemos todos fadados a encararmos um dia?. Por que todo esse pavor se a vida sem a morte, como já dizia Hamlet, seria algo insuportável?

E, para aqueles que afirmam categoricamente que espírita não deve temer de modo algum a morte, vale lembrar aqui do cômico episódio envolvendo Chico Xavier que em meio a uma turbulência num voo, se desesperou ao pensar que poderia falecer num acidente aéreo, tendo de ser chamado a atenção por seu guia espiritual, Emmanuel. Algo que só confirma o nosso despreparo total ou parcial, diante desse momento de interrupção existencial na vida física.

Olhando do ponto de vista científico, o medo, vale salientar, é um sentimento natural e necessário para que sejamos prudentes frente a perigos que possam prejudicar a nossa vida. Como menciona Joanna de Angelis em várias de suas obras, o medo da morte resulta do instinto de conservação que trabalha a favor da manutenção da existência.

Talvez por isso, apesar de termos ao nosso alcance uma doutrina esclarecedora e que se propõe a matar definitivamente esse tenebroso fenômeno, mostrando-nos que a morte não existe e que, na verdade, aquele que chamamos de mortos, estão mais vivos do que nunca, ainda sim, receamos em desencarnar.

Não obstante, uma outra explicação bastante aplausível é o nível de apego que carregamos conosco. Apego à vida material, a essa existência efêmera que, apesar das adversidades, tanto gostamos e, sobretudo, às pessoas que aprendemos a amar. Quando não, para os mais incrédulos e materialistas, o apego ao luxo, à riqueza, ao poder que com a morte, ficarão para trás.

Mas existe um outro fator gerador do medo da morte. Trata-se aqui de um dos que torna esse momento, de fato, mais que assombroso, doloroso. Refiro-me ao resultado de uma vida não vivida. Ao peso de uma consciência marcada por erros e equívocos cometidos até aquele momento do ‘último adeus’. Eis aqui um ponto chave do pior de todos os medos da morte e que devemos nos conscientizar e nos vigiar afim de que tenhamos um desencarne feliz, ou ao menos, assombroso.

E uma das receitas infalíveis está numa frase presente num certo verso de autoria desconhecida e cantarolada por diversas vozes, a qual nos diz: “Vivamos como quem sabe que vai morrer um dia. Morramos como quem soube viver direito...”.

Portanto, que para além da certeza da imortalidade da alma, fiquemos com a convicção de que, como nos esclarece a doutrina espírita a perturbação que segue a morte nada tem de penosa para o homem de bem, uma vez que ela é “calma e em tudo semelhante à sensação que acompanha um despertar pacífico”. E que, por fim, como nos ensinou esse grande apóstolo do Cristo, São Francisco de Assis, “é morrendo que se vive para a vida eterna”!.