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Rosildo Brito

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29/09/2015 às 09h40

Sabedoria: a prudência em ação

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Viver realmente não é nada fácil. Ao menos, para quem deseja construir uma vida harmoniosa e pautada no equilíbrio psíquico e espiritual. É preciso, além dos problemas e desafios do dia a dia, vencer a si mesmo e aos apelos ilusórios de um mundo sempre repleto de tentações e falsas propostas de felicidade. Nesse sentido, faz-se necessário cada vez mais, a conquista da sabedoria, virtude magnânima que, apesar de se tratar de algo imprescindível ao nosso progresso espiritual, é ainda algo pouco compreendido e menos ainda cultivado pela maioria da humanidade.

Mas afinal de contas, em que consiste a sabedoria? Seria a obtenção do conhecimento, do saber propriamente dito? O que é ser sábio? É ser muito inteligente, astucioso, esperto, como acreditam muitas pessoas?. Eis aqui alguns equívocos que precisam ser repensados. Ao contrário do que pensam muitas pessoas, o princípio da sabedoria não está no acúmulo do conhecimento, do desenvolvimento da inteligência cognitiva. Nem tão pouco, sábio é aquele que sabe muito. Isto porque, sabedoria e o saber, não são, necessariamente, a mesma coisa. Há um certo adágio que nos faz entender melhor essa diferença. Diz ele: “o saber consiste em aprender e a sabedoria em aplicar esse saber... Logo, sábio não é aquele que sabe muito, mas quem aplica o que sabe”.

Portanto, a sabedoria é indicativo de alguém que, para além da inteligência, do conhecimento adquirido, vivencia na prática, as lições assimiladas e que, por vezes, propaga. Portanto, nem todo mundo inteligente é efetivamente sábio, mas certamente todo sábio é inteligente. E isso explica, por exemplo, a existência de tantas pessoas altamente inteligentes, cultas, mas que, ou usam o saber para o mal, ou simplesmente são tolas, deixando-se envaidecer pelo intelecto, quando não pelas outras formas ilusórias de poder. O fato é que como já demonstra a teoria das múltiplas inteligências, revelada pela Psicologia e a Neurolinguistica, ninguém é totalmente inteligente assim como não há ninguém totalmente ignorante. Somos, em pouco ou muito grau, ignorantes, como aliás, já preconizava o grande pensador Sócrates que definia o sábio como “aquele que conhece os limites da própria ignorância”.

Eis aqui, portanto, um dos atributos que identifica o verdadeiro sábio, a humildade. Alguém que não seja verdadeiramente humilde, jamais pode ser considerado sábio. A famosa escritora poetiza Cora Carolina tem uma frase formidável que diz: “o saber, a gente aprende com os mestres e o livro. A sabedoria se aprende com a vida e com os humildes”. Ou seja, na prática, errando e aprendendo e na convivência com os simples de coração. Os desapegados da vaidade.

Então se não é o saber propriamente dito, qual o princípio maior da sabedoria? A resposta é a prudência. De tal forma que a sabedoria poderia ser definida, em síntese como “o exercício da prudência em ação”.Eis aqui, para alem da humildade, uma outra qualidade da pessoa sábia que nos faz compreendermos ainda melhor a essência da sabedoria. E o que é ser prudente? Se recorrermos ao dicionário, vamos ver que define-se como “qualidade ou particularidade de pessoa que se comporta de maneira a evitar perigo ou consequências ruins; sinônimo de precaução e sensatez”. Dito de outra forma, sábio é aquele ser que age e vive respaldado no discernimento, no bom senso e na retidão e, por isso mesmo, sempre submete suas ações à lei universal da causa e efeito, no sentido de conferir se aquela atitude irá trazer algum bem pra si e para o outro.

E onde buscarmos a sabedoria? Quem nos responde é o evangelista Jó, no capítulo 28 ao nos dizer: “mas onde se achará a sabedoria? Onde habita o entendimento? 13 o homem não lhe compreende o valor; não se pode encontrar na terra dos viventes. 15 não pode ser comprada com o ouro fino, nem a peso de prata se trocará”. Em Eclesiastes, capítulo 7:18-19 nos é dito que: “a sabedoria fortalece ao sábio, mais do que dez governadores que haja na cidade e que “melhor é a sabedoria do que a força. 18a melhor é a sabedoria do que as armas de guerra”. Ou seja, a sabedoria é o grande tesouro, a arma mais potente que podemos utilizar para a conquista de uma vida bem governada e pacífica.

Na mensagem intitulada: “Alma do mundo”, psicografada por Chico Xavier, a espiritualidade nos fala sobre dois tipos de sabedorias que, fazendo alusão ao que nos é repassado pelas Escrituras Sagradas, identificamos como a sabedoria humana e sabedoria divina. Reflitamos sobre o que nos diz a mensagem, num determinado trecho:

“[...] Há dois tipos de sabedoria: a inferior e a superior.

A sabedoria inferior é dada pelo quanto uma pessoa sabe. E a superior é dada pelo quanto ela tem consciência de que não sabe.
Tenha a sabedoria superior.
Seja um eterno aprendiz na escola da vida.
A sabedoria superior tolera, a inferior julga;
a superior alivia, a inferior culpa;
a superior perdoa, a inferior condena.

Tem coisas que o coração só fala para quem sabe escutar!”.

Deus nos ampare na construção de um coração sábio e repleto de amor!.