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Rosildo Brito

Rosildo Brito é profitente e trabalhador cristão-espírita por crença, jornalista e professor por formação profissional e humanista por essência.

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25/12/2017 às 22h25

Adeus homem velho! Feliz vida nova!

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Aproveitando a ritualística de virada de ano ,a qual, como manda a tradição, envolve a todos num clima de autorreflexão acerca das mudanças íntimas que se fazem necessárias ao nosso aprimoramento humano e espiritual, levando-nos a pensar acerca deste anseio, que parece se renovar a cada final de ano, trago aqui a minha última provocação reflexiva de 2017. Convido todos a pensarmos acerca deste que, de fato, permanece sendo um enorme desafio, que é como livrarmo-nos do homem velho e nos tornarmos uma nova criatura, assegurando, desta maneira, a nossa transformação e elevação psíquica-espiritual.

Trata-se aqui, como bem sabemos, da chave central que nos é ofertada através do Evangelho do Cristo, como resposta direta ao genuíno processo de reforma íntima tão difundido pelas grandes correntes filosófico-espiritualistas, da qual faz parte o Espiritismo que, por sua vez, se apresenta como Cristianismo redivivo. Uma proposta que tem na história de vida e transformação de Saulo de Tarso que, de perseguidor, transformou-se em Paulo de Tarso, o maior difusor da Boa Nova e maior exemplo de conversão de que nos falam os textos bíblicos. É ele quem nos apresenta a passagem sobre o duelo do homem velho versus homem novo. Paulo que, ao conhecer o Cristo libertador de almas, traçou uma verdadeira batalha consigo mesmo, na busca incessante da transformação moral, o intento de todo cristão. Ele que, assim como todo homem disposto a vencer a si mesmo, reconheceu primeiramente as suas más tendências e fraquezas, admitindo a dificuldade em superar o mal que havia em si ,conforme registrado na passagem da Carta aos Romanos (7:18), em que o guerreiro persistente reconhece a árdua peleja da luta íntima do bem com o mal, ao afirmar: “Com efeito, o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem”.

E quem de nós não vivencia esse conflito que parece se tornar cada vez mais intenso, à medida que investimos mais intensamente na proposta de conversão moral? Neste sentido, a dificuldade maior, conforme nos adverte o evangelho, está no ato de nos distanciarmos de quem somos para nos tornarmos quem desejamos ser. Uma longa e desafiante jornada que começa pelo despertar da necessidade de mudança, ciente de que, sem esta, não há progresso algum. Este tipo de mudança a que nos referimos, é bom ressaltar, implica em renascimento e, como tal, na passagem simbólica da morte. Faz-se necessário morrermos para tudo aquilo que nos impede de nos tornarmos novas criaturas, tais como os vícios, maus hábitos e pensamentos, sentimentos inferiores, vaidades e, sobretudo, o orgulho, este terrível inimigo que nos torna reféns e algozes de nós mesmos. É preciso nos desapegarmos de tudo aquilo que nos atrela ao homem velho e que nos prende a um ciclo repetitivo de erros. Como nos alerta a filosofia budista, também é necessário vencermos o desejo e o seu poder ludibriante que nos torna prisioneiros das ilusões da vida mundana e seus prazeres efêmeros.

Desperto e liberto diante de tais armadilhas de que vivem cercados os homens, o fiel escudeiro de Cristo, apóstolo Paulo, escreve a seguinte assertiva, na Carta de Paulo aos Efésios (4:23-24): “Quanto à antiga maneira de viver, vocês foram ensinados a despir-se do velho homem, que se corrompe por desejos enganosos,23 a serem renovados no modo de pensar e a revestir-se do novo homem24”. Uma regra de ouro que, vale dizer, está em total consonância com as ciências que estudam o comportamento humano, como a psicologia e a psicanálise, segundo as quais, é impossível mudar a si mesmo e a vida a sua volta, mantendo-se no mesmo padrão mental e comportamental.

Sendo assim, não nos resta dúvida de que a transformação moral, emocional e espiritual só virá à medida que nos dedicarmos com afinco ao intento da conversão genuína, guardando a certeza de que, ao contrário do que muitos insistem em acreditar, não temos o poder de mudar a nós mesmos. Este poder, na verdade , é relativo. A mudança íntima real e efetiva, na verdade, advém da comunhão plena da criatura com o criador e que, na condição de cristãos, tem em Jesus o mediador, o caminho, a fonte viva para esta plenitude tão almejada. Dito de outro modo: só mesmo uma vivência íntima com o Cristo revolucionário, para podermos de fato alcançar a transformação maior em nossa existência que é a elevação espiritual. Fiquemos, por fim, com a certeza do que nos relata o apóstolo Paulo no livro de Coríntios (5-7), ao nos garantir: “Pelo que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.”