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Rosildo Brito

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14/07/2015 às 23h25

Kardec: o apóstolo da educação

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Como é do conhecimento de todos, atravessamos um momento extremamente conturbado na história da humanidade. Uma época marcada pelos mais diversos tipos de conflitos, guerras e, como se não bastasse, uma avassaladora onda de corrupção que se espalha por toda a sociedade como uma terrível praga endêmica. Por trás de todos esses lamentáveis episódios está a grave crise moral que assola a humanidade e que se revela, não apenas por meio desses, mas também através de acontecimentos rotineiros e de menor repercussão.

No trânsito, por exemplo, o que mais se vê são cenas de insultos, brigas por vezes, sem motivo algum. Nas escolas, que antes era um espaço voltado ao respeito e a boa formação dos sujeitos, hoje o que vemos são cenas deprimentes de total desrespeito entre os alunos e destes para com os professores. Afora isso, assistimos perplexos a um crescente índice de delinquência e maus hábitos que parecem tomar conta de boa parte da juventude que aí está. Algo que se reflete, sobretudo, através do assustador número de jovens e adolescentes envolvidos com o mundo das drogas. Jovens estes que, vale salientar, em grande quantidade, advém de famílias desajustadas. Por vezes, chegamos a pensar que o amor está em desuso.

Tal cenário nos convida a fazermos uma auto-reflexão individual e coletivamente em torno do nosso grau de educação moral e consequentemente, espiritual, perguntarmos a nós mesmos: até onde tem ido o nosso esforço de reeducação, já que uma coisa é certa: todos nós precisamos nos educar melhor?. Necessitamos fazer aquilo que só mesmo a educação levada a sério é capaz de nos propiciar que é a transformação integral, ou seja, física, psíquica e moral, e consequentemente, espiritual. A integralização de todas as virtudes humanas e que nos tornarão um dia, seres angelicais.

Só mesmo através do processo transformador da educação moral é que combateremos eficazmente os nossos sentimentos inferiores e os hábitos nocivos que vamos acumulando ao longo de nossa vida, muitos dos quais nos levam a vícios que comprometem a nossa saúde integral, ou seja, mental, física e espiritual. É justamente aqui que entra em ação o poder e real papel da educação cujo significado, como nos ensinam os dicionários diz respeito ao “processo de desenvolvimento das faculdades físicas, intelectuais e morais do ser humano”. (dicionário Aurélio). A nossa dificuldade começa justamente em assimilarmos esse sentido real da educação que, como sabemos, em geral é concebida de maneira restrita como um processo de instrução, de letramento. Contudo, para além da educação escolar que, vale dizer, é apenas um dos aspectos que abrange este processo multidimensional, a educação é um fenômeno muito mais amplo, como, aliás, já nos alertava o professor francês Hipolite Leon Denizard Rivail, no século XIX e que, antes mesmo de se tornar Alan Kardec, defendia a educação como a mais importante ferramenta de transformação humana.

No livro intitulado “Plano proposto para a melhoria da educação pública”, lançado no início do século XIX, ele definia a educação como sendo a arte de formar os homens, isto é, a arte de neles fazer surgir os germes da virtude e reprimir os do vício. Eis aqui o papel sagrado da boa educação de que defendia o professor Denizard, que, vale dizer era um discípulo fiel de Pestalozi, um dos pioneiros da pedagogia moderna e que defendia a educação dos sentimentos a partir da infância como a essência do processo educacional autêntico.

Diz-nos ele, nesta mesma obra que “a origem das qualidades morais encontram-se nas impressões que a criança recebe desde o seu nascimento, talvez mesmo antes, e que podem atuar com mais ou menos energia sobre o seu espírito, no bem ou no mal”. E nos diz mais: “Tudo o que a criança vê, tudo o que ouve, causa-lhe impressões. Ora, do mesmo modo que a educação intelectual é constituída pela soma das ideias adquiridas, a educação moral é o resultado de todas as impressões recebidas..”, algo que, mais tarde seria reforçado pelas vozes dos espíritos superiores e publicado nas obras da codificação espírita, especialmente, no Evangelho Segundo o Espiritismo.

Ou seja, o educador nos chama a atenção para aquilo que todos já sabemos e que precisamos trabalhar em nós que é a força do bom exemplo. Há um sábio ditado que diz que ‘ensinar é diferente de educar. Para ensinar é preciso saber, para educar é preciso ser’. Eis aqui um pensamento que resume bem a essência do verdadeiro papel da educação moral a que todo homem de bem, todo cristão e, portanto, espírita, deve trabalhar dentro de si.