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Rosildo Brito

Rosildo Brito é profitente e trabalhador cristão-espírita por crença, jornalista e professor por formação profissional e humanista por essência.

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27/11/2017 às 17h20

A vaidade nossa de cada dia!

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“Vaidade das vaidades. Tudo é vaidade!”. Esta máxima contida no livro bíblico de Eclesiastes, um compêndio de sábias lições, nos alerta para a necessidade do bom combate contra aquele que é o maior entrave para uma vida efetivamente serena e feliz, o orgulho. Considerada uma das características inerentes à condição humana, a vaidade, como bem sabemos, é uma das mais significativas manifestações do orgulho e inimiga traiçoeira do homem. Nesse sentido, identificar as vaidades que cada um de nós carrega consigo, averiguando atentamente e com a máxima sinceridade de que forma as alimentamos, é uma condição sine-qua-non para obtermos bons resultados diante do bom combate, em nome da reforma íntima tão almejada.

Falamos aqui de um dos mais controversos sinais de inferioridade da alma humana, cultuado por muitos como uma espécie de virtude. Um fenômeno ainda assimilado como sinônimo de auto zelo para com a aparência (física, intelectual ou mesmo moral), diante dos outros, chegando ao ponto de ser confundido, em alguns casos, como demonstração de autoestima. E é justamente aqui onde este braço fiel do orgulho revela sua face mais demoníaca. Aliás, de acordo com a narrativa metafórica bíblica, trata-se do primeiro pecado, e que tem em Lúcifer, o querubim lindo, ungido e decaído, a representação da força do ego sob o eu. Segundo os relatos da Escritura, a vaidade foi o que levou Lúcifer a e se rebelar contra Deus, a quem almejou se igualar em magnitude e poder. Na psicologia e em outras tradições de filosofias orientais, equivale a origem da manifestação do ego e da exacerbação da personalidade.

Contemporaneamente, a vaidade não só se expandiu incrivelmente como se tornou um fenômeno bem quisto. Como advertem diversos pensadores da atualidade, ao invés de combatida e banida, a vaidade tem sido incentivada, sobretudo, através do estilo de vida apregoado na sociedade de consumo, da qual fazemos parte, em que o individualismo prepondera, promovendo um narcisismo jamais visto. Um estranho mundo onde a humildade tem se tornado um sinal de fraqueza e a ostentação, uma prática ovacionada e contagiante. Em que exibir-se ao extremo e falar sobre si, enaltecendo a personalidade ou até mesmo os dilemas pessoais soberanamente, é algo que se tornou praxe. Vivemos numa época em que o discurso na primeira pessoa é algo corriqueiro e que todo mundo deseja ser ouvido, mas poucos se predispõem a ouvir o outro. Por isso mesmo, o primeiro princípio para quem deseja ser curado da vaidade é saber ouvir e enxergar alguém além de si mesmo. O mundo carece de pessoas que ouçam umas às outras e que tenham olhos de enxergar aqueles à sua volta.

E a cura para esse mal não consiste em outra coisa, que não a prática da humildade, única virtude capaz de nos fazer enxergar a nós mesmos sem as lentes superlativas do ego. Sentimento sublime, que nos eleva e nos leva até Deus, a quem só se chega por meio de um coração verdadeiramente humilde e cheio de amor. Não por acaso, o apóstolo Pedro nos adverte: “Cingi-vos todos de HUMILDADE, porque Deus resiste aos soberbos, contudo, aos HUMILDES concede a sua graça.”. E complementa-nos afirmando que “Deus é contra os orgulhosos, mas dá graça aos humildes!”. Por fim, lembremo-nos da mensagem maior daquele que permanece sendo o maior exemplo de humildade já visto na Terra, diante de quem o demônio da vaidade se manifestou em todas as suas faces, o divino mestre Jesus, a nos dizer: “…aprendei de mim que sou manso e HUMILDE de coração.”