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Rosildo Brito

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03/08/2017 às 13h35

A depressão e o mal da indiferença

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Na qualidade de cristão e de alguém que, independentemente do credo, acredita na força do pensamento positivo, eu sempre costumo olhar para a vida com as lentes do otimismo e da perseverança, independentemente das circunstâncias e por mais difíceis que estas aparentem. E sei que muitos do mesmo modo que eu. Mas isso, entretanto, não nos impede de reconhecermos o fato de que o mundo e particularmente a nação em que vivemos, atravessa um momento de extrema turbulência, um cenário de crises, como aliás, já apontam diversos pensadores da contemporaneidade. Seja no âmbito individual, pessoal ou coletivo, as adversidades parecem avançar a galope, causando os mais diversos tipos de transtornos psicoemocionais e distúrbios mentais. Aliás, pesquisa recente afirma que uma em cada duas pessoas sofrerá algum tipo de distúrbio mental nas próximas décadas.

Dentre estes transtornos psicoemocionais, cresce assustadoramente o índice desta considerada por muitos como o mal do século e estatisticamente comprovada, como a enfermidade que mais incapacita pessoas ao redor do mundo, a depressão. Identificada em síntese como um estado de tristeza profundo e duradouro e que a depender do nível de intensidade, pode levar o depressivo até a morte, a depressão tem sido constatada como uma das principais causas de suicídio no mundo, o que tem chamado a atenção de especialistas e órgãos competentes em todo o mundo. De acordo com a OMS, cerca de 3 mil pessoas se suicidam por dia em alguma parte do mundo. A maioria esmagadora dos casos, decorrentes da depressão, que quando não incapacita, mata e que já afeta, segundo este mesmo órgão, cerca de 300 mil pessoa no mundo. No Brasil, a depressão já atinge de 6% da população, ou seja, cerca de 13 milhões de pessoas .

Por trás destes dados estatísticos, não podemos esquecer, estão milhões de seres a carregar no fundo da alma, os mais diversos e terríveis sintomas desta que é o último estágio da dor humana. Pessoas a necessitar da ajuda, da atenção e cuidado daqueles a sua volta e que, por muitas vezes, são totalmente ignorados ou vítimas da indiferença dos que estão ao seu redor, algo que contribui sensivelmente para o agravamento do quadro psicopatológico e de enfermidade espiritual que acompanham o depressivo. E a indiferença em se tratando destes casos, é algo que pode levar e certamente tem levado muitos, à fatalidade e as portas do suicídio. Trata-se do pior sinal de iniquidade que muitos manifestam sem se dá conta, fazendo ver que de fato, o oposto do amor não é o ódio e sim a indiferença. Esta que é uma das mais explícitas consequências do egoísmo maldito que caracteriza a vida neste mundo físico e efêmero, ainda refém do orgulho e do egoísmo, como atesta o Espiritismo, as duas piores chagas da humanidade. Não resta dúvida de que, como apregoa a espiritualidade maior, só encontramos o verdadeiro oásis de paz, alçando voo para a ventura sem fim, quando vencermos os inimigos de nossa felicidade que são o orgulho, o egoísmo e a vaidade.

E são estes que infelizmente quando não arrasta muitos para quadros depressivos, fazendo-os esquecer de que a caridade, a gratidão diária a Deus através de ações altruístas são verdadeiros antídotos conta a tristeza e esvaziamento do sentido da vida, contribuem intensamente para o agravamento de seu quadro psicopatológico. Precisamos, portanto, diante deste cenário preocupante que ai está, nos cuidarmos devidamente mas sem nos esquecermos de cuidar daqueles que estão à nossa volta, sobretudo, observando atentamente os que sinalizam sinais de tristezas profundas e que muitas vezes, vítimas da indiferença, são rotulados como pessoas pessimistas e chatas. Precisamos urgentemente combater o egoísmo que nos afasta um dos outros e nos torna seres solitários e infelizes. Aliás, como nos diz Renato Russo numa de suas canções de reflexão profunda, “Digam o que disserem, o mal do século é a solidão, cada um de nós imerso em sua própria arrogância esperando por um pouco de afeição...”. Estejamos todos atentos ao que nos diz o evangelho de Mateus, no cap. 24 v. 12 ao enfatizar que “E, por se multiplicar a iniqüidade, o amor de muitos esfriará. Mas quem perseverar até o fim, esse será salvo”. E a iniquidade, não nos esqueçamos, não está apenas no ato de maldade, mas também no ato de omissão, pois quando deixamos de fazer o bem, também praticamos a iniquidade.