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Rosildo Brito

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25/11/2016 às 15h45

O perigo das ilusões humanas

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O retorno do espírito ao mundo físico para mais uma experiência humana é marcado por uma série de adversidades, aflições e provações. Neste último caso, estão os mais diversos desafios a que cada um de nós é submetido e que caracterizam a passagem por este mundo como uma necessidade para a plenitude espiritual. E, dentre esses desafios, a maior de todas, sem sombra de dúvidas, são as ilusões humanas. Eis aqui um dos mais antigos problemas que afligem a alma humana e de que dão conta todas as grandes correntes filosóficas espiritualistas existentes. Estas, que como nos advertem as doutrinas espiritualistas, de modo geral, representam um dos maiores e mais difíceis inimigos que enfrentamos na condição de seres reencarnados, diante do qual, devemos estar permanentemente atentos, uma vez que, como é sabido, ao regressar à vida na carne para mais uma experiência humana e mundana, o espírito se vê submetido às mais diversas provas, tentações impostas por este mundo envolvente e altamente sedutor, e mesmo tendo ao seu dispor, todo o conhecimento espiritual que ai está, a maioria fracassa diante do fascínio que este mundo material exerce sobre todos. Algo que, é importante dizer, poderia ser pelo menos amenizado, se o espírito se sobrepusesse de fato aos fascínios do mundo material enganador. 

E, como enfrentarmos eficientemente as ilusões humanas típicas da vida neste mundo sedutor? Para responder a esta questão, importante se faz revermos primeiramente o significado que é atribuído à ilusão e, sobretudo, à desilusão que seria, a priori, o antídoto contra esta primeira. Se recorrermos aos dicionários em busca do significado do termo, veremos que ilusão corresponde ao erro de percepção da realidade. Uma espécie de distorção do que é real, verdadeiro. Portanto, uma pessoa iludida é uma pessoa alienada, ou seja, sem noção correta da realidade, daquilo que é verdadeiro. 

Nesse caso, portanto, a cura para a ilusão estaria no seu oposto, ou seja, a desilusão. Entretanto, se recorrermos aos dicionários a procura do significado deste termo nos depararemos em geral com os seguintes significados: perda da esperança; descrença; desengano, decepção. Ou seja, desiludir-se seria então algo negativo e que ao invés de benefício, acarreta em algo ruim, sobretudo, à tristeza. De modo geral, a desilusão é tida como a quebra de um encanto. E isso fica ainda mais explícito quando nos referimos, por exemplo, a uma expressão bastante corriqueira que é a desilusão amorosa, algo muito comum no mundo da poesia das canções românticas e que corresponde, em síntese, a uma decepção de alguém perante a pessoa amada, levando esse alguém a um estado de tristeza profundo.

Ora, percebemos, portanto, aqui algo de estranho e que aponta para um certo equívoco no modo de concepção da desilusão que é cultuada e difundida dentro da cultura ocidental da qual fazemos parte e que de certa forma termina contribuindo para o fortalecimento da ilusão humana, levando-nos a crer que mesmo se tratando de uma distorção da realidade, a ilusão é algo melhor que a desilusão. Que estar desiludido é algo terrivelmente mal para o ser humano. Mas aí perguntamos: até que ponto realmente a desilusão é algo de fato perverso para o ser humano? Não é preciso ir muito longe para concluirmos que, ao contrário do que se apregoa, a desilusão não é apenas algo positivo, mas necessário para todo aquele que almeja sua emancipação espiritual. Mas a rejeição a essa verdade talvez esteja no fato de que muitos, ainda sim, preferem continuar entregues ao jogo sedutor e anestésico da ilusão, protelando para posterior, a quebra de determinados encantos mantidos sobre os prazeres efêmeros propiciados pela matéria. 

Não obstante, isto não nos exime da verdade de que devemos nos conscientizar de que como diz um certo pensamento certeiro: “Não somos seres humanos vivendo uma experiência espiritual e sim, seres espirituais vivenciando uma experiência humana...”. Um ser constituído como sabemos de três elementos: o espírito, o períspirito e o corpo. E, como tal, precisamos estar ao máximo vigilantes, afim de não confundirmos, e ao invés de colocarmos a matéria a serviço do espírito, terminarmos colocando o espírito a serviço da matéria, dos gozos puramente materiais, efêmeros. Eis um dos maiores equívocos a que devemos estar atentos e que nos leva a uma das mais perversas ilusões e que afeta, vale dizer, muitos dos ditos espiritualistas. Não devemos esquecer de que este mundo em que nos situamos momentaneamente é transitório e ilusório.

Fiquemos por fim, com uma assertiva repassada por este que, como poucos, soube vencer as ilusões humanas sobrepondo-se espiritualmente a todas as provações típicas da existência neste plano, sobretudo, a da riqueza, do poder e do prestígio social que foi Chico Xavier, ao nos dizer que: “A desilusão de agora será a benção de amanhã. E a desilusão é a visita da verdade”. A questão é: estamos preparados para essa visita?!