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Regilaine Crepaldi

Regilaine Magali Bernardi Crepaldi Coordenadora da Área de Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita, na Federação Espírita do Estado de Mato Grosso/FEEMT.

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05/04/2017 às 03h10

A importância do Espiritismo na superação da violência doméstica e familiar

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Qual seria, para a sociedade, o resultado do relaxamento dos laços de família?
Uma recrudescência do egoísmo. (O Livro dos Espíritos, Parte III, Cap. VII).

O que significa o relaxamento dos laços de família? A não formalização do casamento? O rompimento instantâneo das relações conjugais? Não ter filhos em razão da carreira profissional? Ao analisar o diminuto número das questões postas e as possíveis conclusões que cada um poderá formular mentalmente, notamos que o relaxamento dos laços de família, as ultrapassa.

Desde a forma como os pares podem se ligar para iniciar a família, empolgados pela paixão inicial e esquecidos do entusiasmo constante, necessário ao conhecimento de si próprio e do outro durante a relação, até a completa ausência de respeito entre os membros.
 
Durante a permanência do relacionamento, surgem os primeiros desgastes não trabalhados por falta de tempo, embora o tempo seja de Deus e portanto, nunca o faltará a seus filhos. 1
 
Não laborados, os conflitos se avolumam, os diálogos escasseiam e podem surgir as primeiras agressões. De início verbais e num espiral crescente, atingem o ápice com a violência física, sobretudo do homem para com a mulher, em razão do gênero e do processo histórico/sócio/cultural de subjugação do mais forte pelo mais fraco.

Tais agressões machucam não somente o corpo físico, mas acarretam manchas no perispírito, sobretudo no daqueles que as cometem, posto que ao agirmos com desamor, distanciados da Essência Divina que somos, logramos débitos para as contas de nossas vidas. 2
 
Somos Espíritos Imortais e sujeitos às Leis Divinas, dentre as quais se insere a Lei de Causa e Efeito e assim, no cenário da violência doméstica e familiar, sofrem também os Espíritos dos personagens envolvidos, ou seja, do agressor e do agredido.

As crianças, por sua vez, ao presenciarem as cenas ignóbeis, nas mais diversas formas de violência no âmbito doméstico, padecem. A dor muitas vezes se faz no silêncio do quarto, atrás da porta, com choro contido para não “sobrar” para elas. Contudo, não é somente o choro de um momento, mas um sofrimento que pode se prolongar por toda a infância, ultrapassar a adolescência e ingressar na maturidade, eclodindo na repetição dos padrões aprendidos no processo sociocultural onde a criança se encontra inserida.

Além da visualização das agressões, as crianças e adolescentes também são vítimas delas. Desde tenra idade, abusadas sexualmente por aqueles que deveriam ampará-las e protegê-las. Agredidas violentamente com objetos tão variados, quanto doentia for a imaginação de seus responsáveis legais. Violadas em sua dignidade, já que não são tratadas como sujeitos de direito, mas como receptáculos dos dislates dos adultos.

Logo, o relaxamento dos laços de família poderá começar de uma simples resposta atravessada, ao maior ato de violência, com a recrudescência do egoísmo. No entanto, se somos todos filhos de um mesmo Pai e portanto irmãos em humanidade, fazemos parte da mesma família universal. 3 E ao começarmos as mudanças em nossa casa íntima, refletimos nosso brilho aos que gravitam em torno de nós.

Nossa casa/família, vai se iluminando e as relações se tornando, paulatinamente, funcionais, sem inversão ou sobreposição de papeis. O casal passa a se tratar na horizontalidade, com observância da Lei de Igualdade, e, em relação aos filhos, na verticalidade consensual-amorosa, vivenciando o relacionamento familiar saudável. 4

O estabelecimento do diálogo e da confiança entre pais e filhos pode evitar uma série de sofrimentos. Muitas crianças, vítimas de violência sexual, continuam a ser abusadas por terem medo de contar o fato a suas mães e sofrerem castigos físicos ou de outra natureza. O diálogo confiante possibilitaria ao infante, o cessar da agressão logo na primeira oportunidade sem ocorrer reiterados abusos, que por vezes, perduram até a adolescência, momento em que a vítima encontra forças, quando consegue, para romper o silêncio.

E mais, a relação saudável entre pais e filhos, evitaria a primeira agressão, possibilitando o desenvolvimento digno daqueles que nos foram confiados pela misericórdia Divina e dos quais, consoante nos ensina Santo Agostinho, nos serão pedidas contas. 5
 
O convite, portanto, começa pela mudança pessoal para melhor, lograda através dos esforços contínuos e pela observância das Leis Divinas escritas em nossas consciências. Podemos mudar somente a nós mesmos como Espíritos Imortais, amando, respeitando e cumprindo as Leis Divinas, imutáveis e nos entregando a Deus, nosso Pai de amor e bondade.7
 
É a tríade trabalhada nas obras e seminários do Projeto Espiritizar, desenvolvido pela Federação Espírita do Estado de Mato Grosso – FEEMT8 , ampliando nossa visão pelas lentes da eternidade e nos oferecendo norte seguro para a conquista da felicidade, através das portas do coração, que simboliza o sentimento mais nobre que somos convidados a desenvolver, o amor, a nós mesmos e ao próximo, a começar pelos nossos familiares.

1  O tempo é Deus, in Vozes-Alerta – série mediúnica. STEFANINI II, Afro pelo Espírito Honório. Cuiabá: Espiritizar, 2012, p.21/23.
Para melhor compreensão do tema - Depressão e obsessão: causas espirituais in Depressão e Obsessão: duas faces de uma doença espiritual – Série saúde espiritual. Cuiabá: Espiritizar, 2012, p.29 e seguintes.
ÂNGELIS, Joanna de (Espírito); psicografia de Divaldo Pereira Franco. 2.ed. Salvador: LEAL, 2010, p.23 e seguintes.
CERQUEIRA FILHO, Alírio de. Saúde da relação pais e filhos. São Paulo: Editora Bezerra de Menezes, 2009, p.51.
O Evangelho Segundo o Espiritismo – instrução dos Espíritos, cap.XIV – a ingratidão dos filhos e os laços de família.
O Livro dos Espíritos – Questão 621.
CERQUEIRA FILHO, Alírio. Jesus: modelo e guia da família. Cuiabá:Espiritizar, 2012, p.136.
O Projeto Espiritizar objetiva servir de instrumento ao Movimento Espírita para que a Doutrina Espírita seja promovida, revivendo-se o Evangelho de Jesus, de modo a evitar um desvio do Movimento de sua meta principal, como aconteceu em outras épocas antes do advento do Consolador. Maiores informações– www.espiritizar.com.br.