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Orson Carrara

Expositor espírita, tem percorrido muitas cidades do Estado de São Paulo e já esteve na maioria dos estados do país, por várias vezes, para tarefas de divulgação espírita.

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01/07/2017 às 09h00

Atribulações

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A palavra bem define os dias atuais. Todos corremos contra o tempo, atribulados com o acúmulo de afazeres e numa análise geral, não conseguimos dar conta dos compromissos, que se adiam, ficam comprometidos ou até esquecidos.

Isso ocorre na esfera individual e coletiva, haja visto o volume de providências diárias com enorme gama de assuntos e, seja por negligência, incapacidade ou limitações de todo gênero, acabam desdobrando-se em consequências outras que exigirão novas providências e reparos de alto custo, não só financeiros como morais e mesmo psicológicos e emocionais, sem falar dos prejuízos decorrentes. Observe-se, por exemplo, os acúmulos de lixo ou sucata, sem quaisquer providências, abandonados, gerando doenças e ambientes de prostituição ou de vandalismo. E isso é apenas um exemplo material. Transfira-se a questão para o aspecto moral. O fato real, entretanto, é que as atribulações desviam os focos essenciais.

O mais interessante, porém, é que muitas delas poderiam ser evitadas. Ocorrem por força de nossos comportamentos ainda egoístas, gananciosos ou negligentes.

A definição da palavra já indica a questão: aflição, sofrimento moral, acontecimento desagradável, agrura, adversidade.

Naquelas que não podem ser evitadas, todavia, e resultantes dos testes de aprendizados e amadurecimento, vale recordar que nesse programa de aperfeiçoamento moral que devemos abraçar continuamente, o pensamento de Emmanuel no livro Abrigo, é marcante. Reproduzo alguns trechos parciais do extraordinário capítulo com o mesmo título Atribulações:

Se há crentes aguardando vida fácil, privilégios e favores na Terra, em nome do Evangelho, semelhante atitude deve correr à conta de si mesmos. Jesus não prometeu prerrogativas aos seus continuadores;

Asseverou que os discípulos e seguidores teriam aflições e que o mundo lhes ofereceria ocasiões de luta, sem esquecer a recomendação de bom ânimo;

Se o Mestre aludiu tanta vez à necessidade de ânimo sadio, é que não ignorava a expressão gigantesca dos serviços que esperavam os colaboradores;

A experiência humana ainda é um conjunto de fortes atribulações, que costumam multiplicar-se à medida que se nos eleve a compreensão;

Responsabilidades e compromissos envolvem sofrimentos e preocupações;

Peço ao leitor refletir sobre os itens acima, especialmente no item “d” acima. Elas tem grande utilidade para nosso amadurecimento, no enfrentamento das adversidades que nos conferirão imensos aprendizados e experiência. Por isso concluir aquele autor: “(...) porém tenhamos fé e bom ânimo. Jesus venceu o mundo.”


E, claro, agora podemos dizer de nós mesmos: tratemos de nos organizar para evitar as atribulações que podem ser evitadas e aprendamos administrar aquelas que não podem ser evitadas.