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Márcia Verônica

Natural da cidade de Campina Grande-PB, casada e mãe de Fillipe e Ana Luíza. Analista de Sistema de Computação e Arquiteta e Urbanista, porém se realiza em ser mãe, esposa e amiga. Criadora do grupo Colo de Mãe e coordenadora do projeto Consolando e Abraçando Corações, se identifica com esses grupos que dão apoio as pessoas com dores na alma.

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08/03/2018 às 10h50

Acolhendo e consolando

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Olá pessoal.

Tenho o prazer de apresentar à vocês um projeto que tem na composição de seu nome, o coração, além do órgão, o símbolo me representa. Chama-se Consolando e Abraçando Corações.

Mas para falar deste projeto tenho que fazer uma viagem ao passado. No ano de 2012 meu filho Fillipe partiu para uma viagem, poderia ser como muitas que ele já tinha feito na vida, só que esta, ele não mais retornou para nosso convívio. Ele foi para a casa do Pai Divino.

Eu, como muitas mães, fiquei desolada. Mas intuída, resolvi escrever sobre minhas dores e compartilhar na internet, verifiquei que ao longo de três anos, não escrevia sozinha, Fillipe fazia parte daqueles textos, eram emoções interligadas. Quando falava de Fillipe para meus amigos me emocionava, eles sentiam-se incomodados, não sabiam como lidar com o que eles chamavam de sofrimento (eu apenas sentia necessidade de ser ouvida). 

Então, em janeiro de 2013 resolvi criar um grupo para reunir mães que passaram pelo mesmo desafio que eu, em fevereiro do mesmo ano no MIEP (Movimento de Integração do Espírita na Paraíba), recebi orientação do próprio Fillipe para ir em frente com a ideia. Uma amiga muito querida me sugeriu o nome para esse grupo; COLO DE MÃE, que acatei imediatamente, achei apropriado, pois quem não necessita de um colo de mãe? Da criança ao adulto, quando estamos tristes ou alegres, todos querem esse colo.

As reuniões eram em minha residência, pois queria dar características de um grupo não religioso, mas nessa era da informática as pessoas preferiram ficar no whatssap. Tudo bem, pois nele tem pessoas de outros estados.

Alguns anos depois recebi um convite para colocar um grupo que daria apoio às pessoas enlutadas, mas não aceitei. O convite foi esquecido, até que novamente o assunto veio à tona, quando contei sobre o grupo Colo de Mãe a um psicólogo espirita e ele me orientou leva-lo para o Centro Espírita, pois a Doutrina Espírita teria meios para orientar as pessoas que nos procurassem. Novamente me acovardei e deixei pra lá.

No ano de 2017 o chamado me veio novamente e como das outras vezes pela espiritualidade, só que os chamados anteriores foram sutis e agora foi mais direto a convocação.

Você irá coordenar um projeto que se chamará “Consolando e Abraçando Corações”, então não poderia fugir desse chamado. O nosso primeiro encontro foi em 23/9/17 e desde esse dia nos encontramos quinzenalmente na AME (Associação Municipal do Espiritismo). Gosto de chamar de ENCONTROS, pois reunião para mim é muito formal.

Lá pessoas de vários credos nos procuram. Gosto de deixar bem claro para as pessoas, ninguém julga a sua dor, não se classifica e muito menos quantifica. Dor é dor. Nós não podemos ter pressa, Deus não tem pressa, cada um tem seu tempo para sair do luto. Temos que usar da caridade, ouvir, pois em muitos momentos as pessoas estão procurando ouvintes. Tem pessoas de varias etapas do luto.

Seriam necessários voluntários para o projeto e a responsabilidade para fazer os convites caberia a mim. Então, quando fui convidar as pessoas para se voluntariar, pensei em pessoas que como eu tinha passado pela “perda” de um filho (a), pois teria toda a empatia com as possíveis mães que chegassem até nós, elas saberiam do que essas mães estariam falando, pois passaram pelo mesmo desafio, mas procurei também pessoas que eu sabia que era sensível a dor humana.

Nós não doutrinamos as pessoas que nos procuram, mas as orientamos através da Doutrina dos Espíritos, as pessoas não estranham essa conduta, pois elas sabem que estão num local espírita e querem ouvir algo diferente do que estão acostumados.

A Doutrina é consoladora, nos preocupamos escutar o nosso próximo, mais do que falar, e vamos lembrando a todos que a vida continua e tentando lembrar como eram nossos entes queridos quando estavam aqui na terra, sendo assim, eles não podem estar muito diferentes do que foram aqui.

Devido os encontros ser numa casa espírita pode existir pessoas com o desejo de receber alguma noticia de seus entes queridos, mesmo que esclareçamos que o objetivo dos encontros não é esse. Infelizmente o telefone só toca de lá (mundo espiritual) pra cá, porque infelizmente? Porque quando eu estivesse morrendo de saudades de meu filho eu telefonaria para ele, mas já imaginou se assim fosse? Eles não conseguiriam fazer nada. Lembramos que a vida continua aqui como lá.

Termino convidando a todos para refletir sobre o acolhimento e o consolo. Não basta ter conhecimento da Doutrina, precisamos praticar o que ela nos ensina com o nosso próximo.

                Até a próxima oportunidade.

Um abraço bem carinhoso.

Márcia Verônica.