@espiritaon #divulgandoobem
Colunas

Kéops Pires

Juiz de Direito, Presidente da Associação Brasileira dos Magistrados Espíritas, Professor de Direito Processual Civil

‹ VEJA TODOS OS POSTS
26/06/2015 às 12h40

Ecumenismo e Preconceito

Facebook Compartilhar

Durante o Carnaval, diversos encontros religiosos se realizam em Campina Grande, já há vários anos. Inaugurada a prática pelo MIEP – Movimento de Integração do Espírita Paraibano, que neste ano completou 38 encontros ininterruptos, diversos outros eventos se consolidam, envolvendo evangélicos, católicos, judeus, sem falar no Encontro para a Nova Consciência, que reúne representantes de múltiplas religiões e crenças, num clima de congraçamento e ecumenismo. Ecumenismo, aliás, que pode ser considerado como o futuro das religiões.


Qualquer religião que pretenda hegemonia, supremacia numérica, labora em grande engano, porquanto o avanço moral e intelectual da humanidade conduzirá, inevitavelmente, para uma unidade na diversidade. Nesse contexto, é de se lamentar a atitude pouco respeitosa do representante de uma determinada religião que, em entrevista concedida em uma rádio local, da qual participavam representantes de várias religiões, recusou-se, estando o programa no ar, a fazer uma oração junto com os demais, em razão da presença de um Espírita no local, alegando que os Espíritas não seriam filhos de Deus, apenas criaturas suas.
É até curioso notar como pode alguém, sem um mínimo de tolerância para com os demais credos religiosos, aceitar participar de uma entrevista ecumênica. Seja lá qual for o significado da diferença vista por esse cidadão entre “filho” e “criatura” de Deus, o fato é que, além de extremamente deselegante, a atitude segregacionista demonstra pouco esclarecimento e muita arrogância por parte do referido “religioso”. Mas o que mais chama a atenção é sua ignorância exatamente quanto àquilo a que se propôs, que é conhecer e transmitir o Evangelho. Alguém que se afirme cristão não poderia assumir postura tão anticristã e preconceituosa.

Jesus, na sua bela doutrinação nos legou lições imorredouras acerca da humildade, da fé, do amor incondicional, da fraternidade, da benevolência, do perdão. Não há uma só passagem no Evangelho em que Jesus distinga uma pessoa da outra. Ao contrário, dialogou com a mulher samaritana e com os publicanos, do mesmo modo como debateu com os sacerdotes do templo. Ser filho de Deus é aceitar que tudo o que existe no Universo é criação divina, tanto no macrocosmo como no microcosmo. As galáxias, os planetas, os minerais, vegetais e animais, tudo é produto da criação de Deus. Os homens, partículas do amor divino, são todos iguais, todos criados simples e ignorantes, todos rumando, inexoravelmente, para a perfeição. Não há qualquer distinção possível entre seres humanos, seja por sua raça, nacionalidade, cor, sexo, capacidade econômica, ou credo religioso. Até mesmo o mais perverso criminoso é filho de Deus, prometendo Jesus que nenhuma de suas ovelhas ficaria desgarrada. Foi o próprio Jesus, aliás, quem nos advertiu: “Nem todos os que me dizem: Senhor! Senhor! entrarão no reino dos céus, mas somente aqueles que fazem a vontade de meu Pai que está nos céus” (Mateus, VII:21). Ainda que, na concepção equivocada do referido “religioso”, os Espíritas não fossem “filhos” de Deus, a melhor atitude cristã que se poderia adotar, era exatamente a de fazer uma oração, porquanto o próprio Jesus afirmou que não são os sãos que precisam de médico (Mateus, IX:12). Portanto, oremos por aquele irmão que se encontra enfermo da alma e ainda não aprendeu, minimamente, a seguir o Evangelho de Jesus.