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Frederico Menezes

Formado em Comunicação Social pela Universidade Federal de Pernambuco, publicitário e consultor na área de marketing e recursos humanos, vincula-se à Sociedade Espírita Casa do Caminho, em sua cidade natal. De oratória vibrante, é pessoa muito querida no Nordeste.

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14/06/2016 às 05h30

O desafio dos relacionamentos

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Em todo agrupamento humano nos defrontamos com problemas de relacionamento. Com as religiões não é diferente. Por mais que as pessoas se digam frustradas pelo fato de se defrontarem com este tipo de dificuldade pelo fato de estarem em um grupo religioso, teoricamente que deveria estar isento dessas situações, é uma realidade. Não há porque estranhar. Os religiosos são seres humanos, os mesmos que em outros grupos sociais, se exasperam, se ofendem, não perdoam, tem intolerância e sofrem, na pele, o mesmo mal. São os mesmos seres humanos que tem dificuldade de lidar com desafios, de aceitar os outros conforme eles são e que desejam possuir “toda a verdade e a razão”.

Claro que entendemos a expectativa diferenciada quanto às sociedades religiosas, sejam elas espíritas, católicas, evangélicas, judaicas, budistas... Sem dúvida que os postulados elevados que norteiam estes grupos imprime responsabilidade mais ampla no tocante à vivência dos mesmos. Acho até que poderíamos ter mais dificuldades. Elas existem. Como lidar com elas?

Estou voltado para a preparação de um projeto que objetiva estudarmos estas dificuldades. A partir da experiência do relacionamento interpessoal na Casa do Caminho, aquela do cristianismo primitivo, a primeira sociedade cristã da história, é que procuramos analisar os percalços e superações efetuadas dentro das relações dos homens do caminho, como eram conhecidos os cristãos primitivos.

Como sabemos, a Casa do Caminho foi erguida nos arredores de Jerusalém, com o objetivo de apoio mútuo entre os seguidores de Jesus, ao mesmo tempo em que se voltaria para o atendimento aos mais necessitados, além da difusão do Evangelho. Foi uma experiência social diferenciada. Apesar da imensa fraternidade que compunha a atmosfera do agrupamento, enfrentaram também, divergências e situações que desafiaram as convicções. A obra Paulo e Estevão, de Emmanuel, psicografada por Chico Xavier, obra monumental, nos dá uma ideia precisa da Casa do Caminho, nos primórdios do cristianismo.

Temos nos templos e nas casas espíritas, muitos problemas de relacionamento que nascem da invigilância do nosso egoísmo ainda não superado, do orgulho ainda vigente em nosso mundo interior. O fantástico conteúdo da Boa Nova, ímpar na promoção de uma vida de relação social pacífica e pacificadora, permanece como pérola a ser melhor descoberta ao nosso senso de observação e vivência. Multiplicam-se as dificuldades nos núcleos religiosos no tocante aos relacionamentos. Isto, no entanto, pode ser superado ou minimizado. Um estudo detido sobre o que consta nos Evangelhos a respeito e um esforço concentrado no que tange sua prática, pode fazer uma imensa diferença quanto ao problema.

Será que não podemos repetir àquela experiência iluminativa do cristianismo nascente nos dias de hoje? É mais que óbvio que levamos em consideração o contexto do mundo moderno. Não me refiro ao gênero de vida, peculiar ao momento que os primeiros cristãos viviam, mas me detenho na questão dos sentimentos, da base das relações calcada na solidariedade legítima e na fraternidade abundante. Penso, com muita convicção, que sim! Podemos aproximar a experiência de nossas casas atuais do oásis de amor e superação dos "irmãos do caminho".

Ao mesmo tempo em que levanto o problema dos tempos modernos, também reconheço, com sincero otimismo, que muitas casas espíritas e de outras religiões, conseguem viver muito da fraternidade profunda. Tenho visitado diversos núcleos religiosos que me emocionam face à vibração elevada e ao clima de verdadeira alegria dos seus componentes. Dá para sentir a presença do amor ao Cristo, o carinho para com o próximo, embora, claro, as imperfeições próprias dos seus membros.

Isto me faz ter a certeza das imensas possibilidades que temos para vencer os espinhos que provocam dores e sofrimentos nas relações. O objetivo singelo do trabalho que estou preparando é trazer uma colaboração a estas nossas dificuldades. As brechas que oferecemos aos temporários adversários da luz nascem, quase sempre, do fato de alimentarmos dissensões e divergências, sempre com um viés negativo, armazenando mágoas, ressentimentos, afastando servidores do bem, do agrupamento iluminativo. E o esquecimento do perdão faz o resto.

Faremos um projeto piloto a ser implementado na Casa do Caminho, no Cabo, e na Asseuf, em Boa Viagem. Depois ampliaremos a abordagem, se possível, levando a outras casas espíritas e até não espíritas, pois o trabalho é de cunho a abordar quaisquer de nossas famílias religiosas. Espero poder concretizar o projeto. De vocês, anseio as orações.