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Frederico Menezes

Formado em Comunicação Social pela Universidade Federal de Pernambuco, publicitário e consultor na área de marketing e recursos humanos, vincula-se à Sociedade Espírita Casa do Caminho, em sua cidade natal. De oratória vibrante, é pessoa muito querida no Nordeste.

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27/01/2017 às 11h35

Preto Velho num centro espírita?

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Esse assunto, de vez em quando, me chega nos seminários que tenho oportunidade de realizar pelo Brasil. A indagação se devemos atender aos espiritos que chegam às instituições espíritas nas suas tarefas mediúnicas com as características de um "preto velho" são recorrentes. E sou muito objetivo quanto à questão: Por que não? A estrutura do cristianismo e, por extensão, do espiritismo, é montada no acolhimento, no senso de igualdade e respeito profundo ao espirito imortal. Qualquer atitude contrária a este fundamento nega os postulados superiores da causa e implica em alguma forma de discriminação, derruindo na direção do preconceito, seja racialista ou religioso.

Racialista pelo fato de que poder-se-ia estar reproduzindo, inconsciente ou conscientemente, algum tipo de dificuldade para com os que viveram experiencia na condição de afrodescendente. Não nos esqueçamos que a escravidão foi uma das mais aberrantes violações dos direitos humanos e que manchou, gravemente, a atmosfera psíquica do nosso país. Até hoje temos sequelas cármicas proveniente desse período.

Preconceito religioso, isto para com a umbanda, já que as manifestações dos pretos velhos são associadas diretamente aos trabalhos espirituais do culto afro brasileiro. É preciso o respeito pelos trabalhos amorosos desenvolvidos na umbanda, com muitos corações sendo amparados em seus serviços. Quando um pastor evangélico ou um padre desencarnados se comunicam nas atividades mediúnicas no centro espírita não se tem a mesma postura que aquela utilizada com os preto velhos. Se esses espíritos, sacerdotes evangélicos ou católicos encontram-se desnorteados ou agressivos, se tem respeito e se procura orientá-los, a fim de que encontrem a luz de um novo tempo. Estão, quase sempre, investidos pelos seus condicionamentos doutrinários que lhes foram caros e úteis. Os chamados pretos velhos tambem trazem seus condicionamentos e necessitam, quando nesses casos, de acolhimento, repeito, carinho e orientação. Muitos espiritos que desencarnaram em idade avançada e foram escravos ou descendentes diretos destes trazem as marcas das humilhações sofridas quando no corpo, face à escravidão e outros tipos de preconceito. Receberão o mesmo em nossas casas?

Há tambem os casos de espiritos nobres, que são gratos à experiencia redentora quando aqui na Terra viveram entre os negros africanos escravizados no Brasil ou outros países . Gratos pela libertação espiritual proporcionada pela vivência dolorosa, mantem a configuração de um preto velho e irradiam paz e orientações boas. Claro que sabem que não são pretos velhos pois essa é uma expressão da carne. Numa instituição espirita tendem, após suas primeiras manifestações, tomar a posição de espírito, independente da cor da carne quando estavam reencarnados. Já superam os condicionamentos da matéria.

Óbvio que , ante os que se manifestam como preto velho com atavismos, maneirismos e pedindo cachimbo, bebidas ou quaisquer outros aparatos materiais e inadequados, caracterizam-se como uma alma não avançada ou esclarecida de sua situação, devendo receber os esclarecimentos de que carecem. E não preciso dizer que não se deve ceder às suas solicitações dos aparatos materiais. Estes espíritos precisam do carinho acolhedor e do norteamento. Precisam encontrar apoio para se descondicionarem de sua antiga condição de reencarnante na condição de escravo africano. Jamais alimentar neles o atavismo em que se encontram enredados.

Os que se manisfestam inicialmente como tal mas são almas esclarecidas, alem da razão que já expus acima, tambem podem faze-lo para contribuir a fim de romper os muros preconceituosos que, porventura, apresentamos. Não vejo qualquer tipo de "mácula" nas atuações destes amigos do alem. Assim como referente aos caboclos. Sofrem estes situações muito semelhantes, quando temos informes dos trabalhos que eles realizam à serviço do bem tanto no mundo espiritual quanto na Terra. Claro que irão evoluir e, assim como nós, irão superar a idéia de cor da pele e condicionamentos culturais. Isso não pode, no entanto, fazer-nos esquecer que devem ser recebidos como qualquer outro coração, nos braços de nossa ternura. E quando necessário, esclarecidos, objetivando sua evolução espiritual.