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Arthur Azevedo

Teólogo/Historiador paraibano natural de Campina Grande, vem levando o Evangelho de amor para aqueles humildes e aflitos, mostrando que, "aonde há esperança, não há escuridão".

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06/05/2016 às 20h00

Morrer para viver, e viver para morrer.

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Desde os primórdios da era Pré-História, o humano na sua ignorância intelectual primitiva tinha interesse de entender o processo da morte, variando esse entendimento em diferentes partes do planeta. São encontrados em varais partes do globo terrestre, achados arqueológicos, nos quais esses hominídeos estão sepultados, enterrados em forma e em posições fecais, deixando assim o entendimento que a morte para essas populações era sinônimo de retorno a vida em alguma dimensão ou em alguma forma.

O hominídeo provavelmente perguntava-se para aonde vamos? De onde surgimos? E de acordo com seu intelecto tentava entender e explicar essas perguntas. Segundo o dicionário Wikipedia, morte etimologicamente teria como sinônimos e entendimento:

“Morte do latim mors, óbito do latim obitu, falecimento (falecer+mento)  , passamento (passar+mento) , ou ainda desencarne (deixar a carne), são sinônimos usados para se referir ao processo irreversível de cessamento das atividades biológicas necessárias à caracterização e manutenção da vida em um sistema outrora classificado como vivo. Após o processo de morte o sistema não mais vive; e encontra-se morto. Os processos que seguem-se à morte (pós-morte) geralmente são os que levam à decomposição dos sistemas. Sob condições ambientais específicas, processos distintos podem segui-la, a exemplo aqueles que levam à mumificação natural ou a fossilização de organismos.”

 

 

A morte é uma das grandes certezas da vida, quando estamos ainda inseridos nos processos embrionários do inicio de nossa jornada, caminhamos para desfrutar as belezas e alegrias da vida terrena e concomitante estamos mais próximos da desintegração da estrutura orgânica física “Desencarne”.

Temos medo, ficamos tristes e angustiados com esse fenômeno tão natural ao corpo humano, sofremos quando os que amamos se vão, sentimos saudade, lembranças de alegria, lágrimas lavam nosso rosto, nosso coração e todo o corpo, quão grande é a dor que sentimos.

Todavia não devemos ter tanta angustia e medo desse acontecimento, devemos buscar entender, e é na ciência e nas diversas religiões que estamos desde os primórdios do hominídeo até os Homo neanderthalensis e homo sapiens moderno aprimorando esse conhecimento.

Antigamente, se o coração parasse de bater, estaria ali o fim, assim acreditavam os médicos, com o passar do tempo, aqueles mais audaciosos começaram a fazer massagens cardíacas e viram resultados. Alguns anos mais na história humana, percebemos que a morte encefálica é a definição legal de morte mais aceita no campo da medicina. É a completa e irreversível parada de todas as funções do cérebro. Isto significa que, como resultado de severa agressão ou ferimento grave no cérebro, o sangue que vem do corpo e supre o cérebro é bloqueado e o cérebro morre.

 Um caso chama-nos atenção, dentre variados outros, o do jovem britânico de 17 anos Steven Thorpe, em 2008, entrou em coma após um acidente de carro que lhe deixou feridas graves em sua cabeça. Os médicos realizaram três exames minuciosos e concluíram que o diagnóstico era morte encefálica. Os sinais cerebrais eram tão fracos que a morte já estava dada como certa. Depois de duas semanas, para espanto de todos, Steven saiu do coma e começou a se recuperar e hoje tem uma vida quase normal.

Morte não é somente a falência do corpo físico, nem tão só, a passagem para outra dimensão espiritual, é sobretudo, o caminho para eternidade, um passo para múltiplas lições aprendidas, reflexão de si mesmo. E para isso precisamos liberta-nos dos nossos vícios, pois é na conduta reta moral que encontraremos a verdadeira felicidade e paz.

Para o Hinduísmo a morte é centrada na ideia de reencarnação. Para os hinduístas, a alma se liga ao mundo por meio de pensamentos. Sendo a reencarnação aqui ligada ao mérito. Viver em animais ou humanos. Já na concepção Budista prega  o renascimento e reencarnação. Após a morte, o espírito volta em outros corpos, subindo ou descendo na escala dos seres vivos. Para o Judaísmo temos uma religião que permite múltiplas interpretações. Alguns judeus acreditam na reencarnação, outros na ressurreição dos mortos. Para o Islamismo, Deus criou o mundo e trará de volta à vida, todos os mortos no último dia. As pessoas serão julgadas e uma nova vida começará depois de uma avaliação divina. Na concepção Católica a morte é a transformação da vida, onde deixa de existir a vida corporal para  vida em outra dimensão sem fim. O protestantismo acredita na eternidade da alma, assim como os Católicos, diferindo no fato que essa alma faria uma grande viagem e a ressurreição só acontecerá quando Jesus voltar à terra.  No entendimento da Igreja Batista, acredita-se na morte física (separação da alma e corpo físico) e na morte espiritual, os quais creem que, após a morte física, vão para o paraíso onde terão uma vida de paz e felicidade. Na religião Candomblé não existe uma concepção de céu ou inferno, nem de punição eterna. As almas que estão na terra devem apenas cumprir o destino e ao morrer o corpo o espirito passa para outra dimensão e permanecem junto com outros espíritos.

Jesus em alguns momentos antes de ser preso, assim relata o sinótico de Mateus;

 

 

“Meu Pai, se é possível, que passe de mim este cálice: contudo não seja como eu quero, mas como tu queres”. “E, ao voltar para junto dos discípulos encontrou-os adormecendo”. (Mateus 26: 30-40) Bíblia de Jerusalém.

 

 

É na exegese linguística, teológica e, sobretudo histórica, que vamos encontrar um sentido para o termo cálice no qual se faz uma metáfora com o sentido de beber da amargura, sofrer os maiores infortúnios. Tão logo, devemos perceber para melhor analise que em (João 12:27) “Pai, salva-me desta hora? Mas foi precisamente para está hora que eu vim.” O momento de sua partida está chegando, sua morte se aproxima, e lá está Ele, no meio do Getsémani, jardim situado no sopé do Monte das Oliveiras, um camponês sem moradia, dormia com seus seguidores, ao lastro de uma pequena fogueira, a qual refletia a bela brisa do luar do Oriente. Todavia diferente dos demais, o Rabi não dormia, a hora é dEle, e Ele iria carregar a cruz pelos os demais, tão logo, orava e dizia “Abba(!” (termo aramaico com o sentido de paizinho) “não o que eu quero, mas o que tu queres”).

Jesus sabe o momento de sua morte, e a aceita. Ele não teme a morte, pois para ele a morte física não tem sentido de fim, sabe que é uma passagem para a verdadeira vida.

Comparando as diversas culturas, religiões, encontramos um ponto de intercessão, a existência da vida pós-morte física. O espiritismo nos relata através de Allan Kardec que:

 

 

[…] A observação comprova que, no instante da morte, o desprendimento do perispírito não se completa subitamente; que se opera gradualmente e com uma lentidão muito variável conforme os indivíduos. Em uns é bastante rápido, podendo dizer-se que o momento da morte é também o da libertação, que se verifica logo após; em outros, sobretudo naqueles cuja vida foi toda material e sensual, o desprendimento é muito menos rápido, durando algumas vezes dias, semanas e até meses, o que não implica a existência, no corpo, da menor vitalidade, nem a possibilidade de um retorno à vida.  […].De fato, é racional conceber-se  que, quanto mais o Espírito se tenha  identificado com a matéria, tanto mais penoso lhe seja separar-se dela,  ao passo que a atividade intelectual e moral e a elevação dos pensamentos operam um começo de desprendimento, mesmo a vida durante o corpo.[…].4

 

 

Não devemos temê-la, mas aceitá-la, pois não há o que temer, a não ser nossas próprias ações. Ratifico que a felicidade e paz estão na nossa conduta moral reta.

De fato, algumas pessoas precisam morrer para viver, se transformarem, mudarem, pois as provações da vida nós colocam em certos caminhos que nos impulsionam para o crescimento na dimensão espiritual. Quando uso essa metáfora, “morrer para viver”, não falo tão somente de morte física, mas sim, de matarmos nossos vícios, combater nossas imperfeições morais, despertar nossa consciência sobre o humano, sermos empáticos, termos alteridade, e usarmos nossa capacidade de resiliência, para assim enfrentarmos nossos obstáculos, nossas dificuldades e problemas e assim iremos aprender a resistir às dificuldades e situações de conflitos em nossas vidas para não entramos em desequilíbrios psicológicos. Precisamos florescer a bondade em nós, despertarmos a bondade na sua finitude humana. Olhemos para Jesus, pois Ele disse-lhes: “Na casa do meu Pai há muitas moradas”, “Eu sou o caminho, a Verdade, a Vida. Ninguém vem ao Pai a não ser por mim”. (João 14: 2-6). E não esqueçamos, onde há esperança, não existe desespero.

 Que a paz do mestre Jesus possa alcançar aos corações de todos!      
                                                  
Por: Arthur Azevedo