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Arthur Azevedo

Teólogo/Historiador paraibano natural de Campina Grande, vem levando o Evangelho de amor para aqueles humildes e aflitos, mostrando que, "aonde há esperança, não há escuridão".

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24/02/2017 às 20h20

Paz no Pedregal

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Ontem grande fadiga abatia-me no começo da noite, dormia logo cedo. Ao despertar, percebi-me em um ambiente diferente, notei que era arrastado involuntariamente e ao chegar certo ponto, reconheci de imediato aquele ambiente, era o bairro do Pedregal, em Campina Grande, o qual estive tantas vezes trabalhando na Polícia, fazendo rondas e atendendo ocorrências.

Analisei o meu redor grande quantidade de desencarnados em reunião, numa parte mais elevada do bairro, três amigos espirituais os quais não conseguia ver bem os rostos orientavam-me e falavam-me que iriam descer àquele morro para trabalhar com aqueles mais necessitados moralmente. De imediato percebi que se tratava de um trabalho de “evangelização”. Grande círculo fez-se naquele ambiente em reunião, por lá decidiram que eu com aqueles três iríamos descer, não entendi de imediato o porquê de só descer esse pequeno grupo. Um pouco de receio aproximou-se do meu coração, aqueles três irmãos espirituais os quais não conseguia ver bem os rostos traziam grande calma a minha mente.

Logo mais, um deles se afasta e vêm andando com mais três amigos espirituais que de imediato identifico, dois eram do antigo grupo do ESDE, da casa espírita UFE, e o outro era um amigo meu que exerce sua profissão como policial e também desempenha seus trabalhos de auxílio no catolicismo. De pronto, grande alegria enchia meu coração, cumprimentei meus nobres amigos com grande sentimento de confiança na minha intimidade, preparado para missão que iria desempenhar com eles ao meu lado. Fui informado por esses três amigos espirituais, que os meus amigos não poderiam ir comigo, pois iriam ficar no aguardo para resgatar àqueles que foram sendo trazidos. O outro amigo de profissão corpórea desceria comigo.

Assim comecei a descer àquelas ruas que conhecia tão bem, notei que era noite, mas com intenso movimento nas ruas e becos. Encontrei um velho senhor no caminho, que de pronto reconheci como um senhor que era atendido por mim diversas vezes, quando trabalhava na farmácia, cumprimentei-o alegremente e perguntei: - O senhor está melhor da perna? Pois o mesmo é portador de diabetes e por diversas vezes fazia curativos nas suas pernas na referida farmácia. O velho senhor informou que ficou bom dos ferimentos corpóreos. Tão logo pergunto a ele como estavam à situação do bairro e ele informa-me que grande número de espíritos se encontravam na parte Oeste do referido canal do Pedregal.

Continuamos a descer ao referido lugar, observei que flutuava, mas não quis dá tanta importância a esse fenômeno, tentei concentrar-me no trabalho que iria desempenhar. Ao chegar ao local, na entrada do canal, vi um grupo em reunião. Os três espíritos que nos acompanhavam ficaram ao nosso redor, notei certa hostilidade no olhar do grupo, cumprimentei todos com uma simples boa noite, notei que tinha conseguido “quebrar o gelo do inicio daquele dialogo”. Olhei para aqueles rostos e notei que se tratava de adolescentes e algumas crianças de dez a doze anos, pela fisionomia que se apresentaram para mim. Identifico um deles com certa liderança no grupo, começo a manter uma conversa com ele, escutando primeiro os motivos daquela guerra de gangues que duravam décadas e tantas mortes e dor já tiveram trazida para tantos corações. Do discurso dele, foi informado que o outro grupo chamado “Peixeiro” matará o pai e um irmão dele. Logo mais, começo um longo discurso sobre a importância do perdão e felicidade. Olhava para eles e vi certo aspecto sóbrio nos seus períspirito e olhares angustiantes, mas depois de certas horas ali, notei que grande afinco enchia o meu coração. Esse rapaz o qual conversava, mostrava-me grande abatimento no seu rosto, mas no decorrer da conversa notei que sua fisionomia melhorava bastante. Perguntei o mesmo se estudava, e ele informava que teria parado no 1º ano do ensino médio, dava-lhe conselho a voltar para seus estudos, fazer ENEM e Universidade, ajudar aqueles irmãos que ainda estavam ali encarnados com ele. Notei certa empolgação em seu olhar e isso me trouxe bastante alegria. Conversei com diversos outros ali.

A alguns metros, o meu outro amigo estava conversando com um senhor. Aproximei-me e fiquei atento ao diálogo. O senhor narrava que teria assistido uma reunião espírita outro dia e que teria gostado muito. O meu amigo falava da importância de seguir os ensinamentos do Cristo e praticá-los em nossas vidas. Tão logo se aproximam esses três amigos espirituais e informa-me para ir a outro lugar, conversar com o outro grupo. Despeço-me daqueles irmãos, e sentia uma alegria grande no coração.

Mas a frente no percurso do referido canal, um senhor de fisionomia de uns 50 anos, nos pediu auxílio para ver seu filho. Entramos em uma habitação humilde, vi um adolescente como se estivesse com o corpo queimado ou com feridas deitado no chão, num sentimento e ato automático, coloquei a mão sobre esse referido rapaz e orei, notei que um desses amigos espirituais que nos acompanhavam estendera a mão sobre meus ombros na parte das costas. Logo mais, notei um pouco de melhora sobre aquela criatura, um pouco de sorriso diante daqueles gemidos foi solto no ar. Um dos amigos espirituais ali, pega ele no colo e sai, uma grande luz é posta no ar.

Doravante, continuamos a caminhar, chegamos à parte Leste do canal, virada para o bairro da Prata, ali subimos um pouco as ruas fora do canal, encontro- me com outro grupo, com fisionomias de jovens, vou se aproximando e percebo um olhar de desconfiança nos mesmo novamente e ao cumprimentá-los, percebo que nesse grupo os seus olhares são mais perturbantes. Deixo o sentimento de medo de lado e vou tentando conversar com eles. No decorrer da conversa, vou percebendo que ali, naquele ambiente sombrio e pobre, várias armas no ambiente físico, nas quais identifico bem os calibres, estavam colocadas sobre o solo e casas de um quintal. Tento não dá importância ao que vejo e continuou tentando orientá-los de forma mais sutil do que o primeiro grupo. Passei um bom tempo ali, notei que nesse grupo, pouco consegui influenciá-los no caminho do bem. Ao nosso redor, sempre estavam os três amigos espirituais, um deles chama-me e saímos dali andando, “flutuamos” até um local próximo dali, aonde encontrei-me com meus amigos do grupo espírita e dezenas de outros mais que não identifico, ali fizemos um prece que de grande felicidade banhava-me o coração!

Que possamos orar pela paz, não só no bairro do Pedregal, mas em tantos outros Pedregais do mundo.

Que assim seja!

Escrito e corrido nesta data 23/01/2016