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Antonio Carlos Tarquínio

Mestre em filosofia pela PUC-SP e doutor pela mesma instituição. Articulista e comentarista de notícias do Jornal Nova Era na Rádio Boa Nova e TV Mundo Maior, emissoras da Fundação Espírita André Luiz. Na Rádio Boa Nova é também apresentador e realizador do programa "Pensamento e vida". Possui vários artigos publicados em revistas especializadas em filosofia.

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04/09/2018 às 19h05

Cultivemos o espírito

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“E Jesus lhe disse: ‘Ninguém que lança mão do arado e olha para trás está apto para o Reino de Deus’” (Lucas, 9:62)


No Evangelho segundo o Espiritismo há uma frase assim: “O espírito deve ser cultivado como um campo, toda riqueza futura depende do trabalho atual” .

E nesta lição de Jesus, recolhida por Lucas, aparece a imagem do “arado” ligada imediatamente à ideia da construção do Reino de Deus.

A afirmativa do Cristo corrobora a tese que expressa a noção de nossa coparticipação no processo de ascensão espiritual. Por isso, a asseveração de Lázaro nada mais faz que repercutir esse entendimento, que infelizmente não é compartilhado por todas as doutrinas cristãs. Porquanto, há os que acreditam que o homem não precise fazer nada, a não ser crer em Jesus, para obter salvação.

Alinhados com a raiz etimológica da palavra “homem” (terra, húmus) entendemos que este tem de despertar para o amanho, para o cuidado de si, haja vista que todas as conquistas importantes do espírito provêm do esforço pessoal de autossuperação.

É que ao longo da vida podemos se quisermos, avançar muito na espiral da autocompreensividade – caminho que nos leva ao percebimento que o “arado” se encontra em nossas mãos – posto que se nem tudo está sob nosso controle, pelo menos o trabalho na “terra de nós mesmos”, como afirma Emmanuel, não é tarefa de outros, mas, em grande parte nossa.

Digo, em grande parte, porque não ignoramos que determinadas situações na estrada, na medida que nos empurram para o acostamento, nos ensinam abençoadas lições sobre a arte de viver. Daí o motivo da dinâmica de transformação – transformação verdadeira – possuir aspectos forâneos, externos, pois muitos incidentes que nos vêm de encontro nas sendas que percorremos têm por fim auxiliar-nos no roteiro de subida.

É assim que aos poucos vamos aprendendo a ser mais pacientes, mais tolerantes, mais solidários, mais humanos.

No entanto, nada disso se faz ou se realiza sem a adesão consciente da vontade, sem nossa cota de serviço individual no desenvolvimento em nós próprios dos valores que um dia nos permitirão o acesso às regiões sublimes onde habitam os espíritos felizes.